As Falanges de Trabalhos na Umbanda

AS FALANGES DE TRABALHO NA UMBANDA

Na Umbanda nós não incorporamos Orixás e sim os falangeiros dos
Orixás que são entidades evoluídas espiritualmente que vêem trabalhar
nas giras de Umbanda. Falanges: são agrupamentos de espíritos afins
que possue
m a mesma vibração.
São elas: pretos velhos, caboclos, exus, crianças, boiadeiros, ciganos,
orientais e mestres que trabalham na cura.
OS CABOCLOS
São entidades, espíritos de índios brasileiros e Sul Americanos, que
trabalham na caridade como verdadeiros
conselheiros, nos ensinando a
amar ao próximo e a natureza, são entidades que tem como missão
principal o ensinamento da espiritualidade e o encorajamento da fé, pois
é através da fé que tudo se consegue. Usam em seus trabalhos ervas
que são passadas para
banhos de limpeza e chás para a parte física,
ajudam na vida material com trabalhos de magia positiva, que limpam a
nossa áura e proporcionam uma energia de força que irá nos auxiliar
para que consigamos o objetivo que desejamos, não existe trabalhos de
magia que possam lhe dar empregos e favores, isso não é verdade, o
trabalho que eles desenvolvem é o de encorajar o nosso espírito e
prepara-lo para que nós consigamos o nosso objetivo. A magia praticada
pelos espíritos de caboclos e pretos velhos é sempre positiva, não existe
na Umbanda trabalho de magia negativa, ao contrário, a Umbanda
trabalha para desfazer a magia negativa. Eu sei que infelizmente,
existem vários terreiros que praticam esta magia inferior, mas estes são
os magos negros, que para disfarça
r o seu verdadeiro propósito, se
escondem em terreiros ditos de Umbanda para que possam atrair as
pessoas e desenvolver as suas práticas negativas, com promessas falsas
que sabemos nunca são atendidas. Mais graças a Oxalá, esses terreiros
estão acabando, p
ois, o povo esta tendo um maior conhecimento e
buscando a verdade e é através desse caminho, de busca da verdade,
que esse templo de Umbanda pretende ensinar a todos, o verdadeiro
caminho da fé. Os caboclos de Umbanda são entidades simples e
através da sua
simplicidade passam credibilidade e confiança a todos
que os procuram, seus pontos riscados, grafia sagrada dos Orixás,
traduzem a mais forte magia que existe atualmente, é através desses
pontos que são feitas limpezas e evocações de elementais e Orixás p
ara
diversos fins, mais a frente falaremos um pouco mais sobre os pontos
riscados de Umbanda. Nos seus trabalhos de magia costumam usar
pembas, ( giz de várias cores imantados na energia de cada Orixá),
velas, geralmente de cêra, essências, flores, ervas,
frutas, charutos e 2 incenso. Todo esse material será disposto em cima de uma mandala ou
ponto riscado, para que esse direcione o trabalho. Quando fazemos um
trabalho para uma entidade de Umbanda e colocamos algum prato de
comida, como pôr exemplo espigas de
milho cozidas com mel, esta
comida não é para o Caboclo comer, espíritos não precisam de comida,
o alimento que esta ali depositado, serve como alimento espiritual, isto
é, a energia que emana daquela comida e transmutada e utilizada para
o trabalho de mag
ia a favor do consulente, da mesma forma o charuto
que a entidade esta fumando é usado para limpeza, do consulente
através da fumaça e das orações que estas entidades fazem no
momento da limpeza, são os chamados passes de Umbanda.Muitas
vezes a Umbanda é c
riticada e chamada de baixo espiritismo, pois seus
guias fumam e bebem, mais estas críticas se devem a uma falta de
conhecimento da magia ritual que a Umbanda pratica, desde o início,
com tanta maestria e poder, e sempre o fará para o bem de todos
.
OS PRETOS VELHOS
São espíritos de velhos africanos que foram trazidos para o Brasil como
escravos e que trabalham na Umbanda como símbolos da fé e da
humildade. Seus trabalhos são de ajuda aqueles que estão em
dificuldade material ou emocional, sendo que, o seu
trabalho se
desenvolve mas para o lado emocional e físico, das pessoas que os
procuram, sendo chamados, carinhosamente de psicólogos dos aflitos.
Sua paciência em escutar os problemas e aflições dos consulentes,
fazem deles as entidades mais procuradas n
a Umbanda, são chamados
de Vovôs e Vovós da Umbanda.
Também usam ervas em seus trabalhos de magia e principalmente para
rezar pessoas doentes e crianças que estão com mal olhado, suas rezas
são conhecidas como poderosas, usam também de patuás, saquinhos
que são depositados elementos de magia e que os consulentes usam no
corpo para proteção.
Da mesma forma que os Caboclos, os Pretos Velhos usam cachimbos
para limpeza espiritual, jogando sua fumaça sobre a pessoa que esta
recebendo o passe e limpando a aura
de larvas astrais e energias
negativas.

CABOCLOS DE UMBANDA

A palavra caboclo, vem do tupi kareuóka, que significa da cor de cobre; acobreado. Espírito que se apresenta de forma forte, com voz vibrante e traz as forças da natureza e a sabedoria para o uso das ervas.

A marca mais característica da Umbanda, uma religião surgida no Brasil no final do século XIX e início do século XX, é a manifestação de entidades espirituais, por meio da mediunidade de incorporação. Os primeiros espíritos a “baixar” nos terreiros de Umbanda foram aqueles conhecidos como Caboclos e Pretos-velhos, a seguir surgiram outras formas de apresentação como as Crianças, conhecidas, variadamente, como Erês, Cosme e Damião, Dois-dois, Candengos, Ibejis ou Yori. Essas três formas, Crianças, Caboclos e Pretos-velhos, podem ser consideradas as principais porque resumem vários símbolos: representam, por exemplo, as raças formadoras do povo brasileiro – indígenas, negros e brancos europeus – e também representam as três fases da vida – a criança, o adulto e o velho – mostrando a dialética da existência. Além disso, trazem valores arquetipais de Pureza e Alegria na Criança; Simplicidade e Fortaleza no Caboclo e a Sabedoria e Humildade dos Pretos-velhos, mostrando o caminho para a evolução espiritual dos sentimentos, do corpo físico e da mente. Com a expansão da Umbanda, muitas entidades apareceram, como os Baianos, Boiadeiros, Marinheiros e outras, sem falar de Exu, outro grande ícone umbandista.

Essa diversidade confirma a abrangência desse movimento espiritual que chama a todos e recebe seres encarnados e desencarnados, com vibrações de fraternidade e amizade sob a luz de Oxalá.

Nesse artigo trataremos, mais especificamente, das entidades conhecidas como Caboclos, in­variavelmente presentes nos terreiros de Umbanda, praticando a caridade e cumprindo sua missão espiritual.

Existem variações no entendimento que os umbandistas têm sobre o que sejam os caboclos. As variações são próprias do movimento umbandista, notavelmente plural, mas há consenso na Umbanda, no fato de que os Caboclos são espíritos de humanos que já viveram encarnados no plano físico e são, portanto, nossos ancestrais. É interessante notar que em alguns cultos afro-brasileiros, os caboclos são considerados “encantados” e se relacionam com os espíri­tos da natureza, recebendo nomes de animais, plantas ou outros elementos naturais. Essa percepção se aproxima das lendas indígenas que narram um tempo em que os animais falavam e viviam em comunhão com os homens, podendo um se transformar no outro, (veja mais nas obras de Betty Mindlin).

A palavra caboclo vem do tupi kariuóka, que significa da cor de cobre; acobreado. A partir daí vem a relação com os índios brasileiros, de tez avermelhada. Assim, a palavra caboclo passou a designar aquilo que é próprio de bugre, do indígena brasileiro de cor acobreada. Posteriormente surgiu a noção de caboclo como mestiço de branco com índio, o sertanejo. Dada essa relação dos caboclos com os indígenas – nos terreiros de Umbanda é dessa forma que se manifestam -, e aproximando esse fato ao Orixá Oxossi, que em África é cultuado como Odé, o caçador, o Senhor das Florestas, conhecedor dos segredos das matas e dos animais que lá vivem, diz-se que os Caboclos que baixam na Umbanda são espíritos ligados a Oxossi. Muitos entendem que somente esses são caboclos e que as entidades da vibração de Ogum, Xangô, Yemanjá e Oxalá não seriam, propriamente, caboclos. No entanto, há caboclos da praia, do mar e das ondas, das pedreiras, das cachoeiras, dos rios etc., cujos elementos se associam mais aos outros Orixás que a Oxossi.

Outra maneira de se interpretar as entidades de Caboclo, é como espíritos que se apresentam na forma de adultos, com uma postura forte, de voz vibrante, que trazem as forças da natureza, manipulando essas energias para trabalhar nas questões de saúde, vitalidade e no corte de correntes espirituais negativas. Seu linguajar pode se assemelhar ao dos indígenas, paramen­tados ou não com cocares, arcos e flechas, machadinha e espadas. Aqui estamos entendendo os Caboclos de maneira mais ampla, como símbolo de fortaleza, do vigor da fase adulta, existindo caboclos de Oxossi, Xangô, Ogum e mesmo aquelas entidades ligadas aos orixás femininos, como Yemanjá, Oxum, Yansã. É claro que essas últimas entidades não vêm como índias, mas com uma forma tipicamente relacionada aos seus atributos. Todavia, são entidades que se apresentam como adultos.

Feitas essas ressalvas, podemos dizer que todas as entidades de Umbanda, especialmente as Crianças, Caboclos e Pretos-Velhos, são espíritos ancestrais que estão ligados, cada um, a um Orixá. Assim, as crianças trazem a vibração dos Orixás Ibeji, conhecidos na Umbanda Esotérica como Yori; os Pretos-velhos vêm sob as vibrações dos Orixás Obaluaiê, Nana Burukum ou Yorimá e os Caboclos podem ser de Oxossi, Xangô, Ogum etc. Também é preciso falar que existem os chamados cruzamentos vibratórios em que uma entidade de Ogum, por exemplo, pode trazer também as forças de outro orixá, como Ogum Yara que além das forças de Ogum, movimenta também as forças dos Orixás das águas, como Yemanjá, Oxum etc.

Vejamos alguns exemplos de Caboclos de Oxossi: Caboclo Sete Flechas, Caboclo Folha Seca, Caboclo Pena Vermelha, Cacique das Matas, Caboclo Cobra-coral, Cabocla Jurema, Cabocla Jacyra, Caboclo Ventania, Caboclo Caçador e outros. Na linha de Ogum temos: Ogum de Lê, Ogum Beira-mar, Ogum Matinata, Ogum Sete Ondas, Caboclo Biritan, Ogum Megê, Ogum Sete Espadas e mais uma plêiade de espíritos que vêm sob essa vibração. Entre os caboclos de Xangô temos muitos caboclos famo­sos, como Caboclo das Sete Pedreiras, Caboclo Vira-mundo (que vem como Xangô ou Oxossi), Xangô Kaô, Caboclo Pedra Branca, Caboclo da Pedra Preta etc. Para citar alguns da linha de Oxalá, que dificilmente baixam, temos Caboclo Ubiratan, Caboclo Girassol, Caboclo Ipojucan, Caboclo Guaracy e Caboclo Tupi. Esses caboclos, normalmente, vêm fazendo cruzamento vibratório com outros orixás, especialmente com Oxossi.
Todas as entidades de Umbanda são importantes. Ainda que alguns se orgulhem de serem médiuns de caboclos renomados e tidos como chefes de falange, o que vemos é que quando estão no terreiro, os Caboclos tratam uns aos outros como iguais, mostrando que o que importa é o trabalho espiritual e, como em uma aldeia, tudo é feito em conjunto e com as ordens dos planos superiores. Assim diz um ponto cantado de caboclos: na sua aldeia ele é caboclo, é Rompe-mato e seu mano Arranca-toco, na sua aldeia lá na jurema, não se faz nada sem ordem suprema.

É também do linguajar de caboclo, que não cai uma folha da jurema (da mata), sem ordem de Oxalá, ou seja, que tudo na vida tem motivo e que nossas ações são registradas na lei de causa-e-efeito, ou lei do karma. Mas isso não significa ficar passivo, esperando o pior acontecer. Os Caboclos também ensinam a termos coragem e a sermos guerreiros na vida, lutando pelo que é justo e bom para todos. No que é possível, os caboclos nos ajudam a entrar na macaia (a mata que simboliza a vida), a cortar os cipós do caminho (vencer as dificuldades) e, se preciso, caçar os bichos do mato (vencer as interferências espirituais negativas). Essa postura é evidenciada em vários pontos, como esse:

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Atira, atira, eu atirei, eu bamba vou atirar Bicho no mato é corredor, Oxossi na mata é caçado.
Cadê Vira-mundo pemba (bis)
Tá no terreiro, pemba, com seus caboclos, pemba.
Veado no mato é corredor, cadê meu mano caçador
E o Caboclo Ventania que me protege noite e dia.

Para quem vivência o terreiro, que há anos luta as batalhas espirituais e já viu os caboclos vencendo as demandas dos filhos-de-fé, afastando entidades negativas, tratando doenças que a medicina muitas vezes não resolve e dando lições de simplicidade, humildade, coragem e persistência, ouvir ou mesmo lembrar esses pontos cantados, traz uma sensação de alegria que enche o coração, renova o ânimo e nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. Melhor do que qualquer leitura sobre caboclo é vê-lo incorporado atendendo quem precisa.

Fonte: Revista Orixás, Candomblé e Umbanda – Ano I – Nº 02

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