CABOCLO TUPINAMBA

CABOCLO TUPINAMBA

O termo tupinambá provavelmente significa “o mais antigo” ou “o primeiro”, e se refere tanto a uma grande nação de índios, da qual faziam parte, dentre outros, os tamoios, os temiminós, os tupiniquins, os potiguara, os tabajaras, os caetés, os amoipiras, os tupinás (tupinaê), os aricobés e um grupo também chamado de tupinambá.
Os tupinambás como nação dominavam quase todo o litoral brasileiro e possuíam uma língua comum, que teve sua gramática organizada pelos jesuítas e passou a ser conhecida como o tupi antigo, sendo a língua raíz da língua geral paulista e do nheengatu. Entretanto, normalmente, quando se fala em tupinambás está-se a referir às tribos que fizeram parte da Confederação dos Tamoios, cujo objectivo era lutar contra os portugueses, também conhecidos como perós.
Apesar de terem raízes comuns, as diversas tribos que compunham a nação Tupinambá lutavam constantemente entre si, movidas por um intenso desejo de vingança que resultava sempre em guerras sangrentas em que os prisioneiros eram capturados para serem devorados em rituais antropofágicos.
Em todas as tribos tupinambás era comum a observância aos heróis civilizadores, como chama Alfred Métraux em seu livro A Religião dos Tupinambás, que eram divindades que haviam criado ou dado início à civilização indígena (Meire Humane e Pae Zomé – mito ameríndio comum em toda a América Meridional). Também era comum a intercessão junto aos espíritos dos pajés, o uso dos maracás, chocalhos místicos cujo uso era obrigatório em qualquer cerimônia.
Atualmente existem dois núcleos de índios Tupinambá, no litoral da Bahia: Olivença, município de Ilhéus, com 20 aldeias e 3864 indígenas; e a aldeia Patiburi, município de Belmonte, com 199 pessoas.
Os tupinambás da Região Sudeste do Brasil tinham um vasto território, que se estendia desde o rio Juqueriquerê, em São Sebastião / Caraguatatuba, no Estado de São Paulo, até o cabo de São Tomé, no estado do Rio de Janeiro.
O grosso da nação tupinambá localizava-se na baía da Guanabara e em Cabo Frio, ou Gecay, o nome da mistura de sal e pimenta que os índios, embora não consumindo o sal, vendiam aos franceses, com os quais se aliaram quando estes estabeleceram a colónia da França Antártica na baía de Guanabara.
As tentativas de escravização dos índios para servirem nos engenhos de cana-de-açúcar no núcleo vicentino, levaram à união das tribos numa confederação sob o comando de Cunhambebe, chamada de Confederação dos Tamoios, englobando todas as aldeias tupinambás, desde São Paulo, Vale do Rio Paraíba (São José dos Campos, Taubaté e outras) até o cabo de São Tomé, com invejável poderio de guerra.
É neste ínterim que Nóbrega e Anchieta teriam sido levados por José Adorno de barco até Iperoig (atual Ubatuba), para tentar fazer as pazes. Segundo a tradição, Nóbrega voltou até São Vicente com Cunhambebe e o Padre José de Anchieta ficou cativo dos tupinambás em Ubatuba. Neste período, ele teria escrito o Poema da Virgem. Fatos lendários e fantásticos teriam ocorrido nesta época do cativeiro, como o milagre de Anchieta: levitar entre os índios, que horrorizados, queriam que ele dalí se retirasse pois pensavam tratar-se de um feiticeiro.
Seja como for, os padres com muita diplomacia, conseguiram desmantelar a Confederação dos Tamoios, promovendo a Paz de Iperoig, o Primeiro Tratado de Paz das Américas. Diz-se que depois de feitas as pazes, Nóbrega advertiu os índios de que, se voltassem atrás na palavra
empenhada, seriam todos destruídos, o que de fato ocorreu. Quando os portugueses atacaram os franceses do Rio de Janeiro, estes pediram ajuda aos índios, que de fato acudiram a seus aliados. Isto levou ao extermínio dos tupinambás que moravam em aldeias em torno da Baía da Guanabara, na segunda metade do século XVI. Os que conseguiram se salvar foram os que se embrenharam nos matos com alguns franceses e os índios tupinambás de Ubatuba que, para não ajudarem e não correrem riscos, ou se embrenharam nos matos ou foram assimilados pelos colonos em Ubatuba, gerando a atual população caiçara daquela região assim como a população cabocla do Vale do Paraíba Paulista e Fluminense.
Contudo, o golpe fatal ao fim dos tupinambás, foi o ataque ao último reduto francês em Cabo Frio, com a destruição de todas as aldeias. Tudo destruído com fogo e passado ao “fio da espada”. Os sobreviventes ou se embrenharam nos matos e migraram para outras regiões ou alguns poucos ainda, no final do século XVI, podiam ser encontrados numa aldeia de índios cristãos próxima da então recém-fundada cidade do Rio de Janeiro, local onde morreu e foi enterrado o Padre Nóbrega.
Por esses motivos e por algumas declarações que denotariam em tese conivência com o extermínio indígena, é que o Padre José de Anchieta tem sido considerado muito polêmico até os dias atuais, embora noutras oportunidades, tenha declarado que se dava melhor com os Índios do que com os portugueses. Afinal, os padres jesuítas tinham a boa intenção e boa-fé de angariar novas almas para a Igreja, no movimento conhecido como Contra-Reforma, haja vista a Reforma que havia se iniciado e espalhado pela Europa.


Ponto Cantado de Caboclo Tupinambá

Estava na beira do rio
Sem poder atravessar
Chamei pelo Caboclo
Caboclo Tupinambá (2x)
Tupinambá Chamei
Chamei tornei chamar
eaaa (2x)

Na mata eu vi
Um arco iris de pena
Tocando uma tambona
O dia inteiro sem parar
Era Tupinambá auê, auê
Pai dito da Jurema
Chamando os caboclos de pena

Pra vim pra esse Congá (2x)
E quando a Tambona ressuava
Os caboclos preparavam
Seus trabalhos com fervor
Enquanto tambona ele tocava
Pena verde abençoava essa ajuda de amor

Arapuru cantou na serra
A mata silêncio
Foi quando Tupinambá
Na aldeia ele chegou (2x)
Caboclo ta guerreando
Guerreando sem parar (2x)

Protegendo os seu filhos

É o rei Tupinambá (2x)

Vamos orar meu irmão

Vamos orar

Que Jesus também orou

No jardim das oliveiras

Com seu pai, ele se comunicou

Longe ouvi um zunido

Vi as matas se abrir

Sentado em uma pedra

Um caboclo guarani

Deus salve casa santa

Cruzeiro celestial

Salve seu Tupinambá

Protetor deste Congá

Quando meu tambor runfar

Eu sinto a presença de Tupinambá (2x)

Deixa a noite cair
Veja uma estrela brilhar
A macaia esta em festa
Pra ver Tupinambá chegar
Ele é caboclo, ele vem caçar
Ele é guerreiro, ele é Tupinambá (2x)

Naquela mata eu vi, um grande caboclo bradar (2x)
Foi nesta hora que seu canto ecoou, as folhas batiam dizendo caboclo chegou (2x)
Ô que vem, ô quem vem lá
É Tupinambá que chegou pra trabalhar (2x)
Ô que vem, ô quem vem lá
São todos caboclos na linha de Tupinambá (2x)

Tupinambá ê ê, Tupinambá (2x)
Tupinambá papaizinho da Jurema
Venha ver que belo filhos
Tem nessa Aldeia pequena (2x)

Ôooooh, esse caboclo guerreiro
é um grande caçador. (2x)
esse caboclo valente
ele vem de Aruanda
protege todos os seus filhos
quebra todas as demandas
Ele abre os caminhos
pra que eu possa caminhar
Ogan segura a curimba
vai chegar Tupinambá
Ôooooh, esse caboclo guerreiro
é um grande caçador…Ôohhh
Sua flecha é certeira
como a flecha de Odé
ele reza, ele cura
todos os filhos de fé
Com penacho colorido
e seu tacapi na mão
é meu pai, é meu amigo
ele é meu guardião
sempre estará comigo
assim nunca estou sozinho
Saravá este caboclo
Guardião do meu caminho…
Ôooooh, esse caboclo guerreiro
é um grande caçador…Ôohhh

Eu vou abrir meu cazuê, eu vou abrir meu cazuá (2x)

Primeiro eu peço a licença de Ogum e minha mãe Iemanjá

Pra saldar vovó Cambinda, e la nas matas caboclo Tupinambá

Pra saldar seu Marabô, la na porteira protegendo esse congá

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