conselhos dos preto-velhos

Dicas e conselhos dos preto-velhos.
TOQUES ESPIRITUAIS DO PRETO VELHO AMIGO

(Combatendo as Zicas do Coração) Meu filho, com esses olhos, “que a terra não comeu”, pois são olhos espirituais, reais, já vi muita coisa. Algumas boas, outras nem tanto, e mais outras que não vale a pena contar.
O que passou, passou mesmo. O que ficou foi a experiência das diversas vidas na carne, aliás, muitas delas tão iguais e, ao mesmo tempo, tão diferentes.
O que ficou foi o aprendizado e o conhecimento de como é o coração dos homens e suas emoções e vontades.
Aprendi a ler a verdade de cada um, por dentro, lá na toca das coisas que não se falam, e que todos escondem muito bem.
Tem muita zica (1) dentro dos corações, meu rapaz.
É rolo que não acaba mais! E coração rançoso e rancoroso, você sabe como é que é, está cheio de irmãozinhos das trevas agarrados a ele.
Eles se alimentam das emoções podres e dos pensamentos maldosos.
E a zica é tanta, que só a pessoa rancorosa é que não vê a energia que está perdendo.
Menino de Deus, como os homens sofrem por causa das emoções podres! Igualzinho ao corpo carnal, que pode apresentar escaras na pele,devido à falta de movimento em alguma área, o corpo espiritual (2) também tem suas escaras astrais.
Porém, essas são causadas pelas emoções podres, estagnadas no meio da alma atormentada e sem centro espiritual.
Falta movimento sutil ali! Falta vergonha na cara para acertar o passo! Muito disso vem de outras vidas, são escaras do passado, de coisas mal-resolvidas, ainda alojadas no corpo espiritual.
Mas, muita coisa é de agora mesmo, é coisa podre dos dias atuais.
E o mau cheiro psíquico exalado atrai os espíritos atormentados e atormentadores, que ficam agarrados em penca na aura da pessoa.
Isso é uma tragédia invisível! É uma doença psíquica que amarra os encarnados e impede os desencarnados carentes de seguirem em frente.
Nosso Senhor Jesus Cristo avisou muitas vezes sobre isso. Ele disse: “Orai e Vigiai!” – Ele sabia do mal que as emoções podres fazem ao ser humano.
Todavia, muitos oram de forma egoísta e mecânica, sem coração e sem alma, e outros nem isso fazem, passando ao largo das boas vibrações que poderiam ajudá-los e fortalecê-los.
E os que vigiam raramente se olham por dentro, pois policiam muito mais a vida alheia, e não foi isso que Nosso Senhor ensinou. Meu amigo, tem tanto espírito agarrado nas pessoas, que há horas em que você não sabe mais quem é quem, de tão entranhados que estão. É um fuzuê energético na aura desses infelizes.
Ô coisa feia de se ver! Mas Nosso Senhor é de uma compaixão infinita. Sob o seu comando, legiões de espíritos de luz vêm ajudando os homens nessas lides do invisível.
Sem eles, isso aqui já teria ido para o beleléu! São eles que deslindam as ligações psíquicas daninhas e levam os irmãozinhos das trevas para o Espaço, para serem tratados pelos médicos da luz.
Esses irmãos da luz são os verdadeiros anjos da guarda da humanidade.
Pena que os homens se esquecem tão facilmente das bênçãos que recebem.
Esses guias e benfeitores espirituais são os trabalhadores de Nosso Senhor, não importa a linha espiritual na qual laboram. Sempre agradeça a eles, pela proteção e luz.
Todavia, se os guias espirituais ajudam, também é verdade que os homens precisam fazer sua parte.
Que vigiem e orem, e exorcizem as emoções podres de seus anseios. Que renunciem aos desejos torpes de vinganças.
Que esqueçam as ofensas e se dediquem a alguma causa nobre e verdadeira.
Ninguém é vítima do destino! Todos são passíveis de falhas na jornada, como também de atos elevados.
E todos são capazes de seguir em frente… Tem muito coração zicado nessa vida dos homens terrestres, e muitos espíritos zangados na cola deles.
Ainda bem que, lá da Aruanda (3), vem aquela luz que ilumina a fé dos filhos que querem a cura do próprio espírito.
Como você escreve sobre as coisas do espírito, fale para as pessoas daquela chuva luminosa que os guias produzem sobre as cabeças dos filhos que se esforçam na senda da luz e do bem.
Aquela luz de Aruanda… Aquele amor que cura o coração. Fale das egrégoras (4) invisíveis que sustentam os bons pensamentos e os bons ideais, para que muitos outros se liguem a elas e se protejam das vibrações pesadas.
Filho, olhe essa estrela sobre a sua cabeça. É linda e brilhante. Você sabe o significado dela, e sabe quem a enviou para iluminar o seu caminho.
Pense que o brilho e a proteção que dela emanam possam ser irradiados para outras pessoas.
Que Oxalá abençoe as pessoas zicadas e as cure do mal que trouxeram para dentro de si mesmas.
Que Ele propicie um momento de despertar para elas. Fique na paz de Nosso Senhor! Na luz de Aruanda.
Na fé! – Pai Joaquim de Aruanda – (Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 16 de dezembro de 2005.)

Bom dia a todos:Mensagem de Preto Velho (para Umbandistas e afins)? A vidência, não deve ser encarada como um “buraco de uma fechadura” Onde qualquer um olha, vê e fala o que deseja sem medir as consequências de seus atos A vidência,

como qualquer outra faculdade mediunica, deve ser encarada com responsabilidade e bom senso Devendo a mesma ser utilizada somente quando necessário e não a titulo de adivinhação, mas sim, de caridade com nosso semelhante Lembrando as palavras do saudoso Caboclo Mirim: “Umbanda é coisa séria, pra gente séria”

E na qualidade de espíritos em evolução que todos somos arriscamos completar: “Mediunidade não é jogo de exibicionismo, mas sim, dom divino que dever ser conduzido com bom senso, responsabilidade e humildade”

PAI ANTONIO DAS ALMAS

Acordem Para a Vida!

Na dificuldade de encarar a vida, é sempre fácil
responsabilizar os outros;

Na dificuldade de se relacionar com os outros, é sempre
fácil olhar os defeitos;

Na dificuldade de amar o próximo, é sempre fácil
escolher a indiferença;

Na dificuldade de competência para ser feliz, é sempre
fácil infelicitar os outros;

Na dificuldade de caráter é sempre fácil o
nivelamento alheio;

Na dificuldade de atitude é sempre fácil condenar o
carma;

Na dificuldade de buscar caminhos retos, é sempre
fácil procurar atalhos;

Na dificuldade de obedecer a ordens, é sempre fácil se
julgar injustiçado;

Na dificuldade de compreender liberdade, é sempre
fácil buscar a libertinagem;

Na dificuldade de lágrimas sinceras, é sempre fácil
o sorriso falso;

Na dificuldade de exercitar a mente, é sempre fácil
obter respostas prontas;

Invariável reconhecer que para as nossas dificuldades,
sempre temos desculpas variadas, mas, para as dificuldades dos
companheiros que nos acompanham no dia a dia sempre temos
condenações.

Por que será que exigimos tanto do outro quando não
lhe suportamos as exigências?

Alguns poderão responder: é o instinto de conservação que fala
mais alto, temos que nos defender!

Então nêgo velho pergunta: que diacho de conservação é essa
que só guarda o que não é bom? Num existe mandinga pior do que
carregar bagagem desnecessária e se suncês tão carregando
egoísmo, vaidade, orgulho e prepotência. Tão é perdendo
tempo!

Mas aí suncês vão dizer: Pai Firmino a natureza não dá
saltos! E eu vou arresponder: concordo com suncês meus fios! Ela num
dá salto, mas, cumpre as funções estabelecidas por Zambi.

Ao invés de suncês querer ser o que não são, procurem ser o
que podem ser meus fios, tenham humildade em tudo que façam e
reconheçam que só aprendendo a vencer suas dificuldades é que
suncês sairão vitoriosos.

Acordem para a vida! Pois, guia nenhum vai fazer o que cabe a suncês
fazerem.

Naruê meu Pai!

Patacori Ogum

Ogunhê!

Fonte: Pai Firmino do Congo

Faz caridade fio, faz caridade fio!

Assim era as fala do negro Ambrósio através do
aparelho mediúnico que lhe servia de canal para fazer proseador.

Não era a primeira que aquele consulente ouvia esse
conselho do Pai Velho, já havia se passados oito meses desde o
primeiro dia que aquele senhor tinha adentrado ao terreiro, passando a
fazer parte da assistência, sempre voltando ao negro Ambrósio para
tirar suas duvidas.

Naquele dia ele estava decidido. Iria perguntar ao Velho
porque toda vez que falava com ele escutava o mesmo conselho? Será
que como espírito não estava vendo que ele já estava fazendo
sua parte?

Esperou ansioso a sua vez. Aquela noite seria especial,
seria diferente das outras, aquele encontro marcaria uma nova etapa no
caminhar daquele senhor.

Como sempre fazia, mais por repetição do que mesmo por
convicção, se ajoelhou diante do negro Ambrósio e foi dizendo:

– Benção vô Ambrósio, hoje venho lhe pedir uma
explicação para melhor entender o que o senhor me diz.

– Oxalá te abençoe meu fio! Negro Ambrósio fica feliz
com sua presença e gosta de fazer proseador com todos os fios que
aqui vem.

– Meu vô, como o senhor mesmo sabe já faz algum tempo que
venho a essa casa e falo com o senhor. Como já lhe disse não tenho
uma situação financeira ruim, ao contrário, nunca tive problemas
dessa ordem o que sempre me facilitou uma vida com fartura e bem-estar
desde a infância.

– Certo meu fio, negro Ambrósio já tem cunhecimento de
tudo isso que suncê falou.

– É meu vô, por essa razão gostaria de lhe perguntar
porque o senhor toda vez que fala comigo me aconselha a fazer a
caridade? O senhor não já sabe que faço isso todo mês
entregando gêneros alimentícios aos que estão carentes? Além
do que, na minha empresa mantenho uma creche para os filhos dos meus

empregados para que assim possam trabalhar com mais tranqüilidade.
Por isso gostaria que me explicasse o porquê desse conselho, dentro
da minha consciência cumpro com meu compromisso.

– É verdade meu fio, tudo isso que suncê falou pra negro
veio, faz parte de seu compromisso e fio cumpre direitinho sua parte.
Porém fio esse compromisso faz parte de seu social. Suncê alimenta
o corpo material que precisa de sustentação pra ficar de pé, pois
se não for assim fio tem prejuízo, só que o fio também
precisa distribuir o pão espiritual e assim fazer a caridade.

– Não entendi meu vô seja mais claro? Que caridade
espiritual é essa?

– É a mesma que esse meu aparelhinho faz aqui no terreiro.
Suncê precisa assumir sua condição de médium.

Espantado, disse o senhor: como é que é vô Ambrósio
o senhor está me dizendo que tenho compromisso com a mediunidade na
Umbanda é isso?

– É isso sim, meu fio. Suncê tem compromisso com essa
banda.

Ante as muitas verdades que ele já tinha ouvido, nunca uma
afirmação estava tanto a lhe remoer a alma. Como seria possível?
Achava bonito a Umbanda, gostava do cheiro das ervas e do cachimbo dos
vôs, mais daí então a ser médium era demais para ele.

Mesmo de forma acanhada buscando aparentar tranqüilidade
aquele senhor disse ao vô:

– Meu vô acho que há um equívoco, pois nunca senti nada
a respeito da mediunidade.

– Num sentiu porque se prende e que não quer dizer ou suncê
acha que nego veio não vê o companheiro de Aruanda que lhe
acompanha e que hoje está dando autorização pra fazer esse
conversado? Meu fio diz que gosta do cheiro das ervas e desse terreiro
– o que é uma verdade – mas o que fio não se vê é dobrando
o corpo para prestar a caridade, deixando assim que seu Pai Preto
também lhe traga lições para seu caminhar. Então meu fio,
enquanto suncê não entender, nego veio vai continuar repetindo o
conselho: faz caridade fio, faz caridade fio! Mesmo que tenha que
arrepetir isso por muitas veis, pois água mole em pedra dura fio,
tanto bate inté que fura. Olha fio! Eu tenho um compromisso moral
com esse companheiro de Aruanda que te acompanha e te agaranto que
não será de minha parte que não será cumprido. Pensa no que
esse veio te falou e dispôs vem prosear novamente, pois o passo de
veio é miudinho e devagarzinho, só tem uma coisa fio: o tempo
corre e espero que suncê queira aproveitar enquanto tá desse lado
de cá!

Aquele senhor se levantou da frente de negro Ambrósio sem
dizer mais nenhuma palavra, seria preciso tempo para digerir tudo que
ele tinha ouvido.

Oito meses se passaram depois daquela prosa, ninguém no
terreiro tinha visto novamente aquele senhor na assistência.

Era 13 de maio, gira festiva de preto velho, os trabalhos tinham
se iniciado. Negro Ambrósio olhava para a porteira do terreiro como
se estivesse a esperar por alguém e assim cantarolava “acorda
cedo meu fio, se com velho quer caminhar, olha que a estrada é longa
e velho caminha devagar, é devagar, é devagarinho quem anda com
preto velho nunca ficou no caminho”. Acostumados com a curimba os
filhos da corrente repetiam os versos sem perceber que naquele dia a
entonação estava mais dolente. Mais um filho de Zambi venceria uma
etapa, mais um seria libertado.

E foi olhando para a porteira que negro Ambrósio viu aquele
senhor adentrar no terreiro, com os olhos rasos d’água e de joelhos
se postar assim dizendo: Vô Ambrósio se é verdade que tenho
essa tal mediunidade aqui estou para aprender a fazer caridade, nesses 8
meses minha vida perdeu a alegria, relutei muito para chegar aqui
novamente e não nego que fugi por vergonha se ainda houver tempo…

Aquele senhor nem chegou a ouvir a resposta do negro
Ambrósio. Do seu lado já se encontrava um negro que de forma doce
e amorosa assim falou: Meu fio a quanto tempo espero por esse momento,
por esse reencontro. Vamos trabaiá meu fio nas bênçãos de Zambi
e na fé de Oxalá!

Diante dos filhos daquela corrente, aquele homem branco, de
olhos claros, quase translúcidos, alto, dava passagem nesse momento a
mais um preto velho e foi curvando aquele corpo que se ouviu a voz da
entidade assim dizer: Bendito e louvado sejam o nome de nosso Pai
Oxalá! Saravá negro Ambrósio! Pai Joaquim das Almas se faz
presente nesse Gongá!

– Saravá Pai Joaquim!

E daquele dia em diante mais um filho começava a sua
caminhada. Mais um chegava a corrente da casa. Mais uma estrela passou a
brilhar nos céus de Aruanda!

Saravá Preto!!!

Sabedoria de Preto-Velho*

Sentados num banco de praça estavam quatro pensativos jovens, que traziam consigo

algumas dúvidas e preocupações ante o futuro, às quais não conseguiam solucionar devido ao pouco conhecimento que tinham a respeito da vida. Três destes garotos possuíam comportamentos desregrados e viciosos, adeptos do comodismo social: “cuido de mim; os outros que cuidem de si próprios!”.
Apenas um, do quarteto, tinha como conduta a prática do Bem, da caridade fraterna, pouco se importando com posses materiais e prazeres mundanos.

Ao longo dos meses, os jovens continuavam a se encontrar periodicamente no local, ainda com as antigas indagações. Numa determinada tarde, distraídos, foram surpreendidos pela presença amiga de um homem negro de avançada idade que, pitando um

fumegante charuto numa posição não mais ereta, apoiava-se num bastão de madeira já carcomido pelo tempo.
“Quantas dúvidas, meus filhos? Desabafem com o velho aqui.
Podem começar vocês três, ainda iludidos pela saciedade dos prazeres viciosos, e me exponham suas inquietações”, falou-lhes com serenidade e franqueza.
Vitimados pelo egoísmo e ambição, interrogaram o Preto-Velho a respeito de ganhos materiais, felicidade imediata e conquista de poder, ou sejam, frivolidades. Logo após, partiram, tendo todas as questões respondidas com sabedoria e desprendimento, típicos adjetivos de quem lutou pelo ideal da liberdade, vitimado pela dor e pelo cansaço que a chibata e o tronco lhe causara no passado.

Enquanto isso, reflexivo, o jovem de ilibada moral que ali permanecia, indagou: “velho amigo, porque fui o último a ser chamado se – comparado com os demais – sou o que mais tem procurado o caminho da Verdade? Meu esforço terá sido em vão? Quanto à dúvida que me trouxera aqui, pergunto….”. “Um momento, irmão!” Interrompeu a explanação o ex-escravo, envolvendo-o com sentimentos de Amor. “Captei em meu campo vibratório teu motivo de aflição.
A luz pueril que emite teu Espírito faz-me perceber a elevação que buscas para tua alma de aprendiz.
Jesus Cristo, o maior psicólogo que a Terra conheceu, afirmou com bondade e sabedoria que os últimos seriam os primeiros e que os sãos não teriam necessidade de médico.
Sabe o que Ele quis dizer com isso, meu filho? Nesta situação, em particular, afirmo que teus amigos preocupam-se demasiadamente com situações que não contribuem com a marcha que os leva até Deus.
Estão, como vês, doentes, na concepção de doença empregada pelo Cristo Consolador, necessitando de esclarecimento para acertarem o passo na conduta de seus destinos.”

Silenciou alguns segundos, a fim de que o jovem assimilasse bem suas palavras e prosseguiu: “Ao contrário deles, estás tu, empenhado no Bem, seguindo a moral cristã e ultrapassando as adversidades da vida.
Estás com o Espírito sadio, por isso não necessitas de médico, conforme o ensinamento do Mestre.
Fostes o último a quem chamei para dialogar, mas serás o primeiro a ingressar no reino de Deus.
Quanto a tua antiga dúvida, filho, a entidade que sentes ao teu lado, intuindo-te e guiando teus passos, sou eu, um Preto-Velho, segundo conceito da Umbanda.
Sou um irmão familiar teu que muito sofreu no Brasil escravista e que o acompanha para aclarar teus pensamentos.
Vês-me com os olhos da alma, sendo detentor de faculdade mediúnica.
Sugiro que freqüentes um Centro Espírita e ingresses num grupo de estudos.
Leia as obras básicas do codificador Allan Kardec, para que possas educar tua mediunidade e servir com paz teus semelhantes. Esta é tua missão no Plano Físico. Vou partir, afirmando-te que os últimos serão os primeiros.
És o menos necessitado, por isso esperaste alguns minutos a mais pelo atendimento.”

Um imenso clarão de luz irrompeu do Alto e uma falange de Espíritos Protetores formou um salutar cordão magnético, partindo, junto ao Preto-Velho, para Aruanda, o Plano Espiritual.

* O título desta crônica faz alusão à obra ditada pelo Espírito Pai João de Aruanda, psicografada pelo médium Robson Pinheiro.

A vos do Silêncio. O atendimento da noite agora encerrava naquela terreiro de Umbanda.
Alguns dos pretos velhos que haviam trabalhado, desligavam-se de seus aparelhos, não sem antes equilibrá-los com energias edificantes e benfazejas.
Um dos médiuns, após, praticamente “despachar” seu protetor, apressou-se em ajoelhar-se aos pés da preta velha que ainda permanecia incorporada, para solicitar aconselhamento.
O bondoso espírito acolheu amorosamente suas lamentações como o fez com todos os outros que haviam passado por ela naquela noite.
Ouviu a tudo fumegando seu cachimbo, porém nada falou.
Saravou aquele filho, agradecendo- o pela caridade que havia prestado e assim se despediu, largando seu aparelho.
O médium por sua vez, desajeitadamente se retirou sem conseguir entender o silêncio da Preta Velha.
Um misto de rejeição e indignação passou a povoar seus sentimentos.
– “Então é assim! Eu fico fazendo caridade por horas a fio e quando solicito ajuda o que recebo?” Enquanto a corrente mediúnica realizava as preces de encerramento da sessão, ele sentiu uma inexplicável sonolência que o obrigou a dirigir-se diretamente para casa, ignorando o programa prévio de sair com os amigos para mais uma noitada de lazer em bares da cidade.
Mal adormeceu, em corpo astral, através do desdobramento, percebeu estar ajoelhado sobre folhas verdes e cheirosas num ambiente simples, cujas paredes eram feitas de bambu, o teto de folhas de coqueiro e o chão de terra batida. Algumas tochas iluminavam o local e havia uma cantiga no ar que ele bem conhecia.
Sentindo a presença de alguém, virou-se e o viu sentado em seu tosco banco com aquele sorriso matreiro e cachimbo no canto da boca.
Sua roupa, bem como seus cabelos brancos contrastavam com a pele negra.
Os pés descalços e calejados.
No pescoço um rosário cujas contas eram pura luz. Sim, era ele, Pai Benedito, seu protetor.
– Saravá zin fio! – Saravá meu Pai! – Pai Benedito chamou o filho até sua tenda para poder explicar tudo aquilo que você não conseguiu entender com a orientação da mana lá no terreiro da terra.
– Meu Pai, ela nada falou… – E suncê se magoou, não foi? – -É… não compreendi.. .
– Por isso Pai Benedito o trouxe até aqui e vai explicar.
Os filhos da terra ainda não conseguem compreender a mensagem do silêncio devido as suas mentes aceleradas pelo imediatismo, pela falta de concentração e pelo vício de “receitas prontas”.
A mana que nada disse ao filho, agiu assim justamente para incentivar a sua busca das respostas.
Queria que o filho, instigado pela falta do aconselhamento a que vinha se acostumando, pudesse parar e pensar.
Pensar em todos os conselhos que seu protetor, através de seu aparelho, havia passado para as pessoas que atendera lá no terreiro há momentos atrás.
O silêncio da preta velha, quis dizer ao filho que o primeiro e maior beneficiado da abençoada tarefa mediúnica é o próprio mediador.
A sua característica de médium consciente permite que receba e transmita os nossos pensamentos e os bons fluídos dos quais se torna canal.
Para que o intercâmbio “médium-espírito” aconteça, pela bondade divina , o corpo astral do mediador é previamente preparado antes de reencarnar através da “sensibilização fluido- mediúnico” de seus centros de forças para que assim se dê a afinização com seus protetores.
Durante toda a vida encarnada, é ainda alertado e amparado para que possa exercer o mandato dentro do programado.
No entanto, existe um carma envolvendo tudo isso e o fato dos filhos prestarem a caridade não os isenta dos entrechoques a que estão sujeitos na matéria, que nada mais são do que ensinamentos necessários do certo e do errado.
Respeitando as escolhas feitas, esses protetores tantas vezes, mesmo e apesar de todo esforço, perdem seus pupilos para os descaminhos da vida, e então resta-lhes aguardar que o relógio do tempo os traga de volta pela mão da dor.
Pai Benedito não se entristece se o filho por vezes o dispensa ou não entende suas mensagens.
Nem mesmo quando o filho desfaz as energias recebidas após o trabalho de caridade através da busca de prazeres ilusórios e momentâneos.
Apenas ajoelha diante do congá, que no plano astral fica sempre iluminado pelas velas da caridade prestada nas poucas horas em que a corrente de médiuns se reúne na terra, e implora ao Pai Oxalá a sua compreensão para todos os espíritos que ainda teimam em permanecer colados às suas mazelas no plano terreno. Por isso filho, estando aqui em frente a este espírito que tanto o ama e cuja ligação perde-se no tempo, peço que desabafe suas dores, que tire as dúvidas que angustiam seu coração.
Agora o silêncio era todo seu.
Apenas as grossas lágrimas que desciam de sua face falavam de sua pouca fé, de seu descrédito até então, pela própria mediunidade. De seus momentos de incertezas quanto a estar servindo realmente de canal para Pai Benedito, de seus medos em relação ao animismo e da confusão que fazia dele com a mistificação.
Mas principalmente de sua vontade de largar tudo pelos prazeres do mundo, afinal era muito jovem ainda para levar uma vida regrada em função da mediunidade.
– Pai Benedito compreende a angústia do filho, mas pede que revise os tantos avisos que recebeu em seus sonhos, nas palestras instrutivas que ouviu lá no terreiro, nos livros que chegaram até suas mãos e nas tantas vezes que a Preta Velha o instruiu, o aconselhou. Onde estão estas informações?
Para quem eram dirigidas nossas palavras nos atendimentos, senão para você que as ouvia antes de repassá-las? Nada é proibido aos filhos no estágio da matéria, mas em tudo deverá existir o equilíbrio.
O silêncio da Preta Velha havia sido traduzido e agora ele conseguia compreender que fora o melhor, dos tantos conselhos que ouvira dela. Fechando seus olhos, a ela agradeceu mentalmente e quando os abriu, além do cheiro de incenso e da claridade que se instalara naquele ambiente, percebeu que tudo modificara.
A humilde tenda agora era um templo iluminado por vitrais coloridos que formavam filetes de luz que se entrecruzavam num quadro de beleza estonteante.
No chão, ao centro, em esplendoroso piso vitrificado havia o desenho de uma mandala, que de seu centro irradiava luz dourada. Já não estava mais diante daquele Pai Velho em humildes trajes, pois ele havia se transfigurado num ser de características orientais, de olhar penetrante.
Nada pode pronunciar, sua voz embargou. Havia que se fazer o silêncio para que só ele traduzisse a mensagem agora recebida. Naquela manhã acordou muito cedo, tendo plena lembrança de seu “sonho”. No ar, ainda o cheiro do incenso.
Não fosse a exigência da vida física, ficaria o dia todo calado, saudando o silêncio da Preta Velha.
“Que nos ouça, quem tem ouvidos de ouvir”. Saravá aos filhos da Terra! Vovó Benta Maria Santíssima, com Sua simples presença, emana uma Luz suave e cálida que faz com que os corações que se elevam para o amor infinito, se encham de serenidade e paz. Como o sol anuncia a manhã e ilumina o dia, peçamos à Maria que ilumine nossos caminhos e faça com que nossos corações, batendo junto ao Seu Coração, possa entender Seu amor Maternal.

      preto_velho8


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