Lendas de Logun Edé

Lendas de Logun Edé

Logum Edé – O Orixá da Magia e da Boa Sorte

Estava Oxossi o rei da caça a caminhar por um lindo bosque em companhia de sua amada esposa Oxum, dona da beleza da riqueza e portadora dos segredos da maternidade.

Quando de seu passeio, foi avistado por Oxum um lindo menino que estava a beira do caminho a chorar, encontrando-se perdido. Oxum de pronto agrado, acolheu e amparou o garoto, onde surgiu nesse exato momento uma grande identificação, entre ele, Oxum e Oxossi. Durante muitos anos Oxum e Oxossi, cuidaram e protegeram-lhe, sendo que, Oxum procurou durante todo esse tempo a mãe do menino, porém sem sucesso, resolveu tê-lo como próprio filho. O tempo foi passando e Oxossi, vestiu o menino com roupas de caça e ornamentou-o com pele de animais, proveniente de suas caçadas. Ensinou a arte da caça, de como manejar e empunhar o arco e a flecha, ensinou os princípios da

fraternidade para com as pessoas e o dom do plantio e da colheita, ensinou a ser audaz e a ter paciência, a arte e a leveza, a astúcia e a destreza, provenientes de um verdadeiro caçador. Oxum por sua fez, ensinou ao garoto o dom da beleza, o dom da elegância e da vaidade, ensinou a arte da feitiçaria, o poder da sedução, a viver e sobreviver sobre o mundo das águas doces, ensinou seus segredos e mistérios. Foi batizado por sua mãe e por seu pai de Logum Edé, o príncipe das matas e o caçador sobre as águas. Viveu durante anos sobre a proteção de pai e mãe, tornando-se um só, aprendendo a ser homem, justo e bondoso, herdando a riqueza de Oxum e a fartura de Oxossi, adquirindo princípios de um e de outro, tornando-se herdeiro até nos dias de hoje de tudo que seu pai Oxossi carrega e sua mãe Oxum leva. Esse é Logum Edé.

Lenda tirada do livro
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001


Logum Edé ganha domínio dado por Olorum

No início dos tempos, cada orixá dominava um elemento da natureza, não permitindo que nada, nem ninguém, o invadisse. Guardavam sua sabedoria como a um tesouro. É nesse contexto que vivia a mãe das água doces, Oxum, e o grande caçador Oxossi. Esses dois orixás constantemente discutiam sobre os limites de seus respectivos reinados, que eram muito próximos. Oxossi ficava extremamente irritado quando o volume das águas aumentavam e transbordavam de seus recipientes naturais, fazendo alagar toda a floresta.
Oxum argumentava, junto a ele, que sua água era necessária à irrigação e fertilização da terra, missão que recebera de Olorum. Oxossi não lhe dava ouvidos, dizendo que sua caça iria desaparecer com a inundação. Olorum resolveu intervir nessa guerra, separando bruscamente esses reinados, para tentar apaziguá-los. A floresta de Oxossi logo começou a sentir os efeitos da ausência das águas. A vegetação, que era exuberante, começou a secar, pois a terra não era mais fértil. Os animais não conseguiam encontrar comida e faltava água para beber. A mata estava morrendo e as caças tornavam-se cada vez mais raras. Oxossi não se desesperou, achando que poderia encontrar alimento em outro lugar. Oxum, por sua vez, sentia-se muito só, sem a companhia das plantas e dos animais da floresta, mas também não se abalava, pois ainda podia contar com a companhia de

seus filhos peixes para confortá-la.
Oxossi andou pelas matas e florestas da Terra, mas não conseguia encontrar caça em lugar algum.

Em todos os lugares encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta estava morrendo e ele não podia fazer nada. Desesperado, foi até Olorum pedir ajuda para salvar seu reinado, que estava definhando. O maior sábio de todos explicou-lhe que a falta d’água estava matando a floresta, mas não poderia ajudá-lo, pois o que fez foi necessário para acabar com a guerra. A única salvação era a reconciliação. Oxossi, então, colocou seu orgulho de lado e foi procurar Oxum, propondo a ela uma trégua. Como era de costume, ela não aceitou a proposta na primeira tentativa. Oxum queria que Oxossi se desculpasse, reconhecendo suas qualidades. Ele, então, compreendeu que seus reinos não poderiam sobreviver separados, unindo-se novamente, com a benção de Olorum.
Dessa união nasceu um novo orixá, um orixá príncipe, Logum Edé, que iria consolidar esse “casamento”, bem como abrandar os ímpetos de seus pais. Logum Edé sempre ficou entre os dois, fixando-se nas margens das águas, onde havia uma vegetação abundante. Sua intervenção era importante para evitar as cheias, bem como a estiagem prolongada. Ele procurava manter o equilíbrio da natureza, agindo sempre da melhor maneira para estabelecer a paz e a fertilidade. Conta uma outra lenda que as terras e as águas estavam no mesmo nível, não havendo limites definidos. Logum Edé, que transitava livremente por esses dois domínios, sempre tropeçava quando passava de um reinado para o outro. Esses acidentes deixavam Logum Edé muito irritado. Um dia, após ter ficado seis meses vivendo na água, tentou fazer a transição para o reinado de seu pai, mas não conseguiu, pois a terra estava muito escorregadia. Voltou, então, para o fundo do rio, onde começou a cavar freneticamente, com a intenção de suavizar a passagem da água para a terra. Com essa escavação, machucou suas mãos, pés e cabeça, mas conseguiu fazer uma passagem, que tornou mais fácil sua transição. Logum Edé criou, assim, as margens dos rios e córregos, onde passou a dominar. Por esse motivo, suas oferendas são bem aceitas nesse local.

Lenda tirada do livro
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001


Logum Edé Rouba Segredos De Oxalá

Logum Edé era um caçador solitário e infeliz, mas orgulhoso.

Era um caçador pretensioso e ganancioso, e muitos os bajulavam pela sua formosura. Um dia Oxalá conheceu Logum Edé e o levou para viver em sua casa sob sua proteção. Deu a ele companhia, sabedoria e compreensão. Mas Logum Edé queria mais, queria muito mais…
E roubou alguns segredos de Oxalá. Segredos que Oxalá deixara à mostra, confiando na honestidade de Logum Edé. O caçador guardou seu furto num embornal a tiracolo, seu adô. Deu as costas a Oxalá e fugiu.

Não tardou para Oxalá dar-se conta da traição do caçador que levara seus segredos. Oxalá fez todos os sacrifícios que cabia oferecer e muito calmamente sentenciou que toda a vez que Logum Edé usasse um dos seus segredos todos haveriam de dizer sobre o prodígio:
“Que maravilha o milagre de Oxalá!”. Toda a vez que usasse seus segredos alguma arte não roubada ia faltar.
Oxalá imaginou o caçador sendo castigado e compreendeu que era pequena a pena imposta. O caçador era presumido e ganancioso, acostumado a angariar bajulação. Oxalá determinou que Logum Edé fosse homem num período e no outro depois fosse mulher. Nunca haveria assim de ser completo. Parte do tempo habitaria a floresta vivendo de caça, e noutro tempo, no rio, comendo peixe. Começar sempre de

novo era sua sina. Mas a sentença era ainda nada para o tamanho do orgulho de Logum Edé. Para que o castigo durasse a eternidade, Oxalá fez de Logum Edé um orixá.

Lenda tirada do livro
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001


Os Filhos de Logum Ede

Seus filhos aprendem a ter prazer pela vida e por estar perto das pessoas. Por se amar demais, ele auxilia as pessoas que estejam sofrendo e com a auto-estima muito baixa, como também gosta de luxo, eles ajudam pessoas que estejam passando por dificuldades financeiras, porém se não aprenderem a valorizar o que conquistaram, podem perder tudo.

Possui uma beleza natural e muito talento nas formas artísticas, como canto e dança. Têm muito contato com crianças e muitas vezes assumem comportamentos infantis. São muito responsáveis, porém não muito decididos, pois não sabem ao certo o que são e nem o que querem.
Sempre de aparência jovem, causando a impressão de que tem idade inferior à que realmente tem, e quando seus defeitos aparecem, demonstram-se orgulhosos e prepotentes.

Os filhos deste Orixá querem conquistar o mundo com os pés em quinas de parede. Seus filhos devem tomar cuidado com problemas na cabeça e problemas respiratórios. São pessoas que se destacam pela beleza física e provocam afeição das mulheres (ou dos homens). São vistos como tipo de atraentes e sedutores. Também podem apresentar características de vaidade, preguiça e ciúmes. São contraditórios como Logum Edé e possuem natureza imprevisível.

Tendem a puxar para o lado da mãe (sociabilidade) ou do pai (individualismo). Os filhos deste Orixá são volúveis, sonhadores, inteligentes e observadores. São impessoais e ao mesmo tempo gostam de penetrar em mundos completamente opostos ao seu. Assumem desafios, mesmo não estando muito seguro de que vão dar conta e sua personalidade é inconstante.

Os filhos de Logum Edé são pessoas muito inteligentes, muito inquietas, querem fazer mil coisas ao mesmo tempo, são pessoas com um tino comercial muito bom para questão de grana, de comércio e o único problema é que às vezes elas se perdem pelas suas paixões, pelos seus devaneios, pelos seus sonhos e com isso não conseguem realizar materialmente coisas importantes em sua vida, mas se tiverem uns sensos práticos bem determinados, com certeza terão tudo para conseguirem tudo de bom na vida.

Os filhos de Logum Edé possuem características de Oxum, ou seja, o narcisismo, a vaidade, o gosto pelo luxo, sensualidade, beleza, charme, elegância e tem características incomuns com Oxóssi, ou seja, beleza, vaidade, cautela, objetividade e segurança. No entanto, as características de Logum Edé que não pertencem nem a Oxum, nem a Oxóssi, na verdade ele reúne o arquétipo de ambos, mas de forma superficial. A superficialidade é a marca dos filhos de Logum Edé porque lhe dá o contrário dos filhos de Oxóssi, dos filhos de Oxum, não tem certeza do que são e nem do que querem.

As qualidades de Oxum e de Oxóssi se amenizam em Logum Edé, mas em compensação, os defeitos se destacam desta forma: são extremamente soberbos às vezes arrogantes e prepotentes, mas algo não se pode negar, os filhos de Logum são bonitos, possuem olhos de gato, algo que atrai e repele ao mesmo tempo. São do tipo bonitinho mais ordinário. São mandões, os donos da verdade, os mais belos cujo ego não cabe em si. Melhor não lhes fazer elogios em sua presença a não ser que queira ver sua imensa cauda de pavão abrir-se em leque.

Quando tem consciência e consegue controlar os seus defeitos, os filhos de Logum Edé tornam-se pessoas muito agradáveis e muito bem quistos pela sociedade, são muito queridos nos ambientes de trabalho, nas rodas de amigos, são muitas vezes perseguidos por membros da família como irmãos mais novos ou mais velhos, primos, enfim, porque indiretamente acabam se tornando o quequê da família, acabam se tornando os protegidos ou até mesmo super protegidos dos pais, mas não que isso aconteça forçadamente, não que isso aconteça por necessidade, porque eles são capazes de transitarem livremente diante da problemática social, genética e seguirem seu caminho, escreverem cada um a sua história, mas sempre com muito encantamento, sempre com muita magia, sempre com muita força de caçador e com muito amor de Oxum, muita vaidade de Oxum, porque o encantamento de Logum Edé sem a magia, sem a beleza interior, sem o mistério que envolve cada ser humano, sem o potencial elementar da natureza que é o amor em primeiro lugar, a criação divina em segundo lugar por si próprio e em terceiro lugar por quem nos acompanha, seria impossível viver nessa terra de sentimentos conflitantes, de pessoas conflitantes, de cabeças mutantes, de pessoas que vivem e convivem sem muitas vezes se revelarem quem são realmente.

Quantas vezes vivemos na companhia de uma pessoa e quando menos esperamos somos surpreendidos por atitudes e comportamentos totalmente oposto ao que nós esperaríamos dela?
Essa é a magia, esse é o encantamento, é a força em que faz cada ser humano crescer desconfiando, crescer sabendo que ninguém é 100% confiável, crescer sabendo que na guerra do amor vale tudo, crescer sabendo que quando se ama corre-se risco, a não ser que ame em primeiro lugar a si próprio e para amar a si próprio só tendo Logum Edé na genética espiritual, só tendo o conhecimento da existência dessa força mágica que é o misto de Oxóssi e de Oxum.

      Logum_Edé

 

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