Mensagens de Vovó Maria Conga

Mensagens de Vovó Maria Conga.

Nossa mentora espiritual Vó Maria Conga, espírito abnegado.


A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico.

Ela representa o espírito de humildade, de serenidade e de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente.

Certa vez, em um centro do interior de Minas-Gerais, uma senhora consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito triste ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver seus problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro, quando estavam com outros problemas.

O Preto-Velho deu uma baforada com seu cachimbo e respondeu tranquilamente:

“Sabe filha, essas pessoas preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo. Procuramos ajudá-las, resolvendo seus problemas, mas, aquelas que podem ser aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do terreiro.Muitas pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas, acabam nos ajudando nos trabalhos de caridade”.

Essa é a sabedoria dos Pretos-Velhos… Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados.

Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo, o respeito a si mesmo , a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação, podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina, fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas procurando suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.

Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece, e cresce, consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos.

Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero, enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida:

“Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS”

(Pai Cipriano).


É legal ver como a espiritualidade atua das mais diversas formas, nos mais diversos níveis de compreensão, utilizando as ferramentas que têm à mão. Vamos conhecer um pouco da cultura espiritual legitimamente brasileira, adaptada dos cultos dos escravos africanos: “Firma o ponto minha gente Preto Velho vai chegar Ele vem de Aruanda Ele vem pra trabalhar…” Era dia de “gira de Preto Velho” naquele terreiro. Enquanto os consulentes chegavam ansiosos e esperançosos em levar de volta a “solução” daqueles problemas que atrapalhavam suas vidas, na frente do congá os médiuns vestidos de branco e de pés descalços concentravam-se, ligando-se aos seus protetores e guias. O ambiente denotava simplicidade e era mobiliado apenas com algumas cadeiras para acomodar os consulentes, poucas banquetas para os médiuns que serviriam de “aparelhos” às entidades espirituais e o congá, onde um vaso de flores, outro de ervas e os elementos ar, fogo, água e terra se faziam presentes. Acima, uma imagem de Jesus resplandecente de luz. Iniciando-se a sessão através de pontos cantados e orações, após uma leitura espiritualista elucidativa, iniciavam-se as incorporações de maneira moderada. Do lado astral, as falanges de trabalhadores já haviam chegado muito tempo antes dos médiuns e ali já haviam preparado o ambiente fluidicamente. Uma varredura energética havia sido feito pelos elementais onde primeiramente atuaram as salamandras e após as sereias e ondinas, fazendo com que toda a matéria astralina densa que ali se encontrava, fosse transmutada permitindo a chegada dos espíritos trabalhadores. Na porta do ambiente, junto à firmação de ponto riscado e da presença do elemento fogo, postava-se o guardião da Casa, Exu Gira Mundo, impondo respeito e segurança. Num raio de 360º ao redor da construção, uma guarnição dos caboclos na egrégora de Ogum formavam verdadeira muralha armada, impedindo a invasão de seres indesejáveis ao bom andamento do trabalho da noite. A construção toda estava no interior de grande pirâmide iluminada na cor violeta, com grande e grossa placa de aço imantado na parte inferior impedindo que o excesso de energia telúrica desequilibrasse a polaridade positiva que era captada pelos sete anéis giratórios que ladeavam a pirâmide, representando as Sete Linhas de Umbanda. Cada um desses anéis destacam-se na cor fluídica de seu Orixá e emitiam um harmonioso som diferenciado. Cada um dos consulentes que adentrava ao ambiente passava agora primeiro pela defumação que queimava junto à porta, em cumbuca de barro, exalando o cheiro das ervas perfumadas sendo incineradas pelo carvão vegetal. Equipes de limpeza se movimentavam no lado espiritual, recolhendo as larvas astrais e outras espécies de energias deletérias que ali eram desagregadas dos corpos dos consulentes, as quais não eram totalmente absorvidas pelo carvão ou transmutadas pelo elemento fogo.

Em alvíssimas vestes, os amados Pais e Mães, na sua roupagem fluídica de Pretos velhos, trazendo a alegria estampada em sua energia, tomavam conta de seus “aparelhos” médiuns, atuando no chácra básico dos mesmos, obrigando-os a dobrar as suas costas à semelhança de velhos arqueados, incentivando-os ao trabalho fraterno. E assim, de consulente em consulente, de caso em caso, com a paciência e sabedoria que lhes é peculiar, entre uma baforada e outra de palheiro ou de alguma espanada com o galho de ervas na aura daqueles filhos, os bondosos espíritos cumpriam sua missão. Eram conselhos, corrigendas, desmanche de magia negra, de elementares artificiais negativos, limpeza e equilíbrio dos corpos sutis, retirada de aparelhos parasitas e às vezes, alguns puxões de orelha necessários, em forma de alerta. Tudo de acordo com o merecimento do consulente, pois cada um trazia consigo a amostragem de sua “ficha cármica” onde estavam impressos o que a Lei permitia ser mudado, bem como o que ainda era necessário que com eles permanecesse. Vó Benta, espírito portador de grande sabedoria e humildade, apresentando-se naquele

local com o corpo astral de negra velha de pequena estatura, com roupas simples e alvas, cuja saia comprida e larga era coberta por um avental onde um bolso era recheado de ervas e patuás, tinha uma maneira simplista e diplomática de fazer com que os filhos entendessem que eles próprios eram seus médicos curadores:

– Minha mãe, acho que estou sendo vítima de “trabalho feito” pela minha ex mulher… Sorrindo e com linguagem peculiar, segurava com firmeza as mãos do moço passando-lhe com isso confiança e com a voz recheada de afeto respondia: Negra velha vai explicar para que o filho entenda: – quando sua casa está totalmente fechada, fica escura e nada pode entrar, às vezes nem a poeira.

Não é isso? Quando o filho abre as janelas e portas, a luz do sol entra invadindo todos os cantos, mas podem entrar também as moscas, baratas, formigas e até os ladrões, não é? Para a sujeira e os bichos, o filho pode usar a vassoura, para os ladrões a lei, a segurança.

E para a luz do sol? Ah, essa filho, fica ali iluminando até que o filho feche toda a casa outra vez. Assim também é a nossa casa interna; quando nos fechamos para a vida, para otrabalho, ficamos no escuro e ao nos abrirmos, deixamos a luz entrar, mas ficamos sujeitos a todas as outras energias que pululam ao nosso redor.

Mas como acontece na casa material, onde não houver os atrativos da sujeira e do lixo, os insetos não se aproximam.

Se estivermos equilibrados, sem raiva, mágoa, ciúmes, vícios e todos esses lixos que os filhos buscam na matéria, nada nem ninguém consegue afetar nossa energia, nossa vida. Só o sol permanece no coração de quem procura manter-se limpo.

Negra velha sabe que esse mundão está de cabeça para baixo. No lado material os filhos andam desarvorados pela dificuldade de sustento de suas famílias, quando não, em busca de supérfluos.

Mas mesmo assim, é preciso lembrar aos filhos, que embora estejam na matéria e sujeitos a ela, a vida real está no espírito imortal.

É preciso dar mais atenção, senão prioridade, à essência em detrimento do restante, para que possa haver o equilíbrio dos elementos inerentes à vida, na sua totalidade.

O mal que é enviado aos filhos, só vai instalar-se se encontrar no endereço vibratório, ambiente adequado.

Sem contar que o medo é porta aberta – e atrativo – para a entrada do desequilíbrio. O medo é sentimento muito usado pelas energias da esquerda, uma vez que fragiliza o corpo emocional facilitando sua atuação mórbida.

Por outro lado, negra velha pergunta para o filho: – se a desordem não houvesse se instalado, por acaso o filho estaria aqui, sentado no chão, em frente à preta velha, buscando humildemente ajuda espiritual?

Nem sempre o que nos parece mal, é tão prejudicial assim.

Pode ser o remédio adequado para o momento, ou talvez a estremecida necessária no corpo astral dos filhos, para que a ordem possa reinstalar-se.

As trevas, meu filho, estão vinte e quatro horas de plantão. E os filhos, acaso estão? Não adianta orar e não vigiar, pois o pensamento é energia e com ele nos adequamos ao campo energético que quisermos.

Antes da hora grande as falanges da egrégora dos Pretos Velhos, despediram-se de seus aparelhos, alguns precisando largar e desfazer a vestimenta astral usada para que pudessem chegar até os aparelhos mediúnicos e voltavam agora para as bandas de Aruanda, onde continuariam suas atividades no mundo astral.

Pois como diz a Vó Benta, “se pensam que morrer é dormir e descansar, os filhos estão muito enganados… desse lado tem muitotrabalho e como nem o Pai está imóvel, quem somos nós cuja ficha cármica demonstra um vasto débito, para nos aposentarmos?”.

Agora as velas apagam-se, os elementos voltam a integrar a natureza, os elementais após limparem o ambiente retornam aos seus devidos reinos, os elementares foram desagregados pela força e sabedoria dos pretos velhos e os médiuns voltam aos seus lares com a sensação de paz que só é sentida por aqueles que cumprem com seus deveres.

“Preto velho já foi, Já foi pra Aruanda, A benção meu Pai Saravá pra sua banda…

Autor Desconhecido.

      maria_conga

Mensagem da Vovó
Porque sou como sou?

Venho como velha, curvada, cansada do tempo. Mas porque me apresento assim, se os entendidos dizem que espírito não tem idade? E preto, ainda mais velho, é espírito sem entendimento?
Venho desse jeito por vários motivos.
Para mostrar que a sabedoria vem com a experiência, com a vivencia e isso só ganhamos com a idade e o correr do tempo.
Para mostrar a humildade da fala simples, sem rebusco e pretensão, que está ao alcance de todos.
Para mostrar que o sofrimento bem aproveitado, também trás evolução.
Venho desse jeitinho, para acabar com o preconceito, de que preto e velho, não babem nada, não podem nada.
Mostrar que tudo que nasce na terra tem seu ciclo de vida, morte e renascimento. E mostrar que um dia talvez; você vai ficar assim também. Porque ninguém nasce pra semente.
Isso faz parte da minha missão!
Não era minha missão vim como criança, ou jovem e sim como velha e preta.
Quanto a espírito ter idade!? Quem disse que não tem?
A alma sim é infinita.
Mas o espírito também perece. Claro, que ele dura muito mais que a carne, mas também chega ao fim. E o que sobra é a alma, que é a centelha de Deus dentro de nós.

Ai você me pergunta: então espírito é uma coisa , e alma é outra? E a veia responde: claro que sim! O espírito é único,é individual. Mas a alma é universal. O espírito é um corpo, que vem depois da carne.

Um corpo bem mais sutil, onde a mente trabalha, que guarda a alma. A alma é o sopro de vida, que dá a vida a todas as coisas.

A alma é Deus e Ele está dentro de todos nós. Por isso que Dele nada podemos esconder. Por isso que somos o templo de Deus.

É pó esse motivo que somos criativos e todas as coisas só existem, porque Ele permitiu que assim fosse.

“Nenhuma folha cai de uma arvore sem o conhecimento e a vontade de Deus” Quando tomamos conhecimento de nossa Alma e descobrimos (o que sempre soubemos) que ela é Deus em nós.

Tornamos-nos uno com Ele, nos tronamos Ele. Então várias coisas que tinham sentido, deixam de ter. Várias necessidades deixam de ser necessárias. Estamos em Deus e Deus está em nós.
Poucos fora os que conseguiram atingir essa consciência. E poucos daqui pra frente serão os que conseguirão. Mas não custa tentar. E nessa tentativa melhorar e galgar o caminho do bem, da compaixão, do amor e da caridade. Sempre com fé em Deus e nos Orixás. Aprendendo com os Guias e ajudando os que necessitam.
Eu sou Vovó Cambinda da Guiné e essa é minha mensagem para vocês.
Que Oxalá abençoe a todos.
Saravá Umbanda!

Entendendo a liberdade
Ditado por um amigo espiritual

Dia desses estava pensando sobre a liberdade que existe no templo religioso que eu freqüento. Explico:
A Entidade espiritual de chefia do templo, apesar de seu médium seguir uma determinada vertente da umbanda e de aplica-la na forma de funcionamento e de dinâmica de trabalhos do cujo, não inibe e nem proíbe de forma nenhuma que seus filhos de fé venham a estudar outras vertentes da umbanda.
Estava mesmo a divagar tentando entender o porquê de a Entidade chefe permitir o acontecimento deste tipo de situação no templo por que a meu ver muitas vezes a pluralidade não significa obrigatoriamente conhecimento e evolução ordenados.
Eu estava a pensar, pensar e pensar quando de repente, numa espécie de sonho acordado, eu me vi na frente de uma negra velha que estava numa cadeira de balanço a se mexer para lá e para cá. Sem pensar duas vezes ajoelhei-me à sua frente, cruzei o solo a minha frente e me atrevi a lhe dizer:
— à benção Vovó.
— Zambi que lhe dê luz e forças, mas pode ficar de pé, zifio.
— Sim senhora.
— Suncê é bastante curioso e perguntador, não é zifio?.
E bastante “ quadrado” eu respondi:
— É vovó…
— Essa nêga véia pode fazer uma pergunta pra suncê?
— Mas é claro, sim senhora!
— Zifio, onde é que está a liberdade?
— A liberdade? Sinceramente eu não sei.
— A liberdade está no dinheiro?
— Penso que não porque existem muitos ricos que encontram-se encarcerados no materialismo.
— E estará ela na pobreza, zifio?
— No meu modo de ver não porque existem muitos pobres, materialmente falando, que encontram-se presos as reclamações, insatisfações e desesperanças do seu dia-a-dia.
— E por acaso ela estaria no amor?
— Acho que não porque existem muitas pessoas com amor de mais ou de menos por alguém, mas que se encontram presos ao desamor por si próprias.
— Então zifio, onde está a liberdade?
— É como eu lhe disse vovó, sinceramente eu não sei?
— Como não zifio se suncê acabou de responder pra esta nêga?
— Eu?
— Claro, não foi suncê que acabou de dizer que o dinheiro e o amor não libertam ninguém se por dentro os zifios se sentirem presos a visões deturpadas sobre qualquer
um dos sete sentidos da criação divina que são: conhecimento, lei, justiça, fé, evolução, amor e vida?
— Eu disse isso vovó?
— Claro, suncê não acabou de dizer pra nêga que ter alguém para amar necessariamente não torna o amante livre se ele estiver preso ao desamor por si próprio?
— Sim.
— E isso não quer dizer que este amante encontra-se com a visão deturpada no que diz respeito ao divino sentido da criação divina que é o amor?
— Sim.
— Então suncê respondeu mesmo pra nêga onde é que tá a liberdade.
— Como assim?
— Ora zifio a liberdade tá dentro de suncês, na luta que ocês deve fazer a cada dia pra se libertar de seus vícios, mazelas, imperfeições e erros no que diz respeito à Lei Maior e à Justiça divina. A liberdade é questão de suncês procurar conhecer e praticar cada vez mais as verdades sobre a lei de amor e caridade. É como disse o Homem grande da cruz né zifio: “ Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
— É verdade vovó.
— Se suncê sabe que é verdade, porque estava questionando a forma como o mano que é o chefe espiritual da casa de caridade que suncê freqüenta lida com a maneira como os cavalinho, que é seus filhos de fé, busca o estudo e o conhecimento sobre a religião que suncês professam?
— Eu não estava questionando, sabe vovó, estava querendo é entender.
— E quem não entende questiona para que possa alcançar entendimento, não é?
E eu visivelmente envergonhado e boquiaberto com a sabedoria daquela Entidade amiga respondi:
— É vovó.
— Não se envergonhe nunca de querer questionar o que não entende porque todo questionamento que busca um aprendizado sobre as coisa de Zambi é notadamente válido. Só não se esqueça que o conhecimento de muitas coisas só acontece com o tempo e que o conhecimento de outras leva tanto mais de tempo que uma encarnação não é suficiente para aprender. Peça sempre ao Criador que lhe dê sabedoria para discernir uma situação de outra e humildade para aceitar o que ainda não for lhe permitido conhecer.
— Sim senhora, vou procurar fazer minhas preces cada vez mais pedindo a sabedoria e a humildade para minha vida.
— Muito bom zifio e Zambi que lhe proteja e lhe guarde. Agora zifio responde pra esta nêga véia: um copo com água possui qual líquido em seu interior?
Com todo o respeito do mundo que tenho a toda e qualquer Entidade espiritual, mas esta pergunta da vovó parecia ter a resposta tão óbvia que eu comecei a pensar se Ela estava deixando de falar coisa com coisa. Mesmo assim, e com todo o respeito eu lhe respondi:
— Água.
— E se suncê derramar esta mesma água em cima de uma mesa, qual líquido você verá derramado na mesa?
— Água.
— E se suncê retirar a água da mesa e joga-la no chão, qual líquido estará derramado no assoalho?
— Água.
— E por último zifio, e se suncê passar um pano no chão e retirar toda a água, qual líquido estará no pano?
— Água.
— A mesma água que estava dentro do copo, não é zifio?
— Isso.
— Suncê deve tá achando que por tanto falar em água, ou nêga veia é doida ou então tá morrendo de sede, não é zifio?
Meu Deus, como eu ri neste momento. Ri mesmo, ri de doer o abdômen e pensei comigo mesmo: Meu Deus, como tua criação é perfeita!!! Que conversa maravilhosa e que Entidade maravilhosa!!! E só depois deste breve, mas sincero agradecimento foi que eu olhei para a vovó e respondi.
— Olha vovó para ser sincero com a senhora eu devo dizer que pelo fato de não estar entendendo aonde a senhora quer chegar com esta história de água eu cheguei a pensar mesmo que a senhora não estava dizendo coisa com coisa.
— É zifio muitas vezes a ansiedade faz suncês pensar e até mesmo dizer coisas bastante malcriadas.
— Olha vovó, a senhora me perdoe é que eu só quis ser sincero e…..
— Êta zifio essa nega véia não tava falando de suncê não. Na verdade com toda essa história de água esta nêga quer expricar pro zifio uma coisa que pra suncê entender de fato, nêga tem que fazer mais uma pergunta: zifio, seja no copo, na mesa, no chão ou no pano, em algum momento a água deixou de ser água?
— Não.
— Então zifio, suncê pôde perceber que a essência, que é a água, não mudou; o que mudava era a forma da água porque ela sendo um líquido tinha que se amoldar aos locais em que era inserida; assim, dentro do copo a água estava na forma de copo, no pano a água estava em forma de pano e o mesmo acontecia com a água em cima da mesa e no chão, certo?
— É verdade.
— Então zifio, entenda que com as vertentes da umbanda a mesma história de essência e forma também se aplica, entende?
— Mais ou menos.
— Nega véia então tenta expricar pra suncê: zifio ao fundar na terra a religião de umbanda o mano Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas fez a melhor definição sobre a essência desta religião que poderia existir: “umbanda é a manifestação do espírito para a caridade”. A caridade zifio, foi, é e sempre será a essência desta amada religião que suncê professa; mas a forma pela qual esta essência se mostra zifio é muito variável.
Pra nóis aqui no plano espiritual zifio não interessa a forma, nóis tão é preocupado com a essência. Pra nóis não interessa a forma da umbanda: se ela é umbandaX, umbandaY ou umbandaZ; pra nóis o que interessa é se a prática e manifestação desta prática umbandista leva única e exclusivamente a caridade e ao “religare” dos filhos de fé com Zambi nosso Pai. Entendeu, zifio?
— Sim senhora.
— E o mano que é o chefe do templo religioso onde suncê freqüenta é ancestralmente um ordenador da fé; e o que importa pro mano zifio é se suncês estão encontrando a ordenação da fé de suncês através da essência da umbanda que é a prática da caridade e se isso acontece zifio, o mano tá pouco se importando se um cavalinho que tá fazendo a caridade no templo religioso estuda a umbandaX, ou se outro cavalinho faz curso da umbandaY.

Pro mano e pra nóis que suncês chama de Entidades isto são só rótulos e rótulos só servem para indicar conteúdos. Agora se o rótulo de um cavalinho que faz estudadô de umbanda designar como principal conteúdo deste a essência da caridade, então pra nóis e pro mano tá muito formoso. Entende zifio?
— Sim senhora.
— Agora o que suncês que são cavalinho que faz estudadô de umbanda disso e umbanda daquilo não pode e nem deve esquecer é que o mano que chefia os trabalhos do templo umbandista que suncê freqüenta vem preparando o cavalinho dele desde a ancestralidade para que exerça a divina e árdua tarefa de ser sacerdote e para que administre o templo da exata forma com a qual ele vem sendo administrado; e se o cavalinho dele encontrou seu “religare” com o Divino Criador através do estudo e prática no templo religioso da umbandaX, então suncês demais cavalinho têm a obrigação de, minimamente dentro do templo religioso, estudarem, trabalharem e procurarem a ordenação da fé de suncês através da vivenciação e prática da forma umbandista que o sacerdote do templo que vocês freqüentam também adotou que, no caso, é a umbandaX. Entende zifio?
— Sim senhora.
— Pois então pratique e respeite isto que esta nêga pede a suncê, pra que suncês também sejam respeitados. Entende?
— Sim senhora.
— Respeite sempre o espaço religioso e a forma de trabalho do templo que você freqüenta. São os cavalinhos que têm de se adaptar a forma de ser de um templo religioso e jamais, e sob nenhuma condição, o oposto. Agradeça sempre a Zambi pela liberdade que existe no templo em que você freqüenta, entenda que esta liberdade exterior que existe para que suncês possam estudar da umbanda a forma que mais agrade suncês, nada mais é do que um jeito da entidade que chefia o templo permitir que cada um dos zifio possa alcançar a verdadeira liberdade, que é aquela que leva suncês ao conhecimento e a prática cada vez mais intensas sobre as leis de amor e caridade. Entende?
— Sim senhora.
— Use esta liberdade com sabedoria e respeitando as normas e a forma de trabalho do templo religioso que suncê freqüenta, buscando sempre a fraternidade e o companheirismo com os seus irmãos de fé sem jamais promover a divisão neste espaço sagrado. Jamais se esqueça zifio que todo estudo relacionado às essências das coisas sobre o divino, mesmo que sejam de formas diferentes, serve tão somente para a união cada vez maior dos filhos de fé e jamais para promover o separatismo. Entende?
— Sim senhora.
— Deus é amor. O amor une. A união liberta. A liberdade nos torna responsáveis pela propagação deste abençoado amor que é a caridade. Pouco importa a forma, importante mesmo é ao próximo fazer o bem. Entendeu zifio ?
E eu, com lágrimas nos olhos respondi:
— Sim senhora.
— Então saravá, zifio. Fique na força e na luz de Zambi nosso Pai.
— Saravá vovó de meu coração, vá com Deus.
Gente, não sei precisar por quanto fiquei neste “ sonho acordado” , só sei que quando dele eu despertei meus olhos estavam realmente banhados em lágrimas.
Foi a partir daí que eu me pus a pensar: cada linha de trabalho na umbanda tem o seu encanto e merece todo o nosso respeito, agora dos nossos amados preto-velhos eu sou “fã de carteirinha”. Como é que pode? Perto deles eu só sinto vontade de evoluir, evoluir, evoluir e evoluir. Quando penso que a evolução é difícil e me sento perto de um deles eu consigo transmutar este pensamento e a achar que é tão fácil, tão fácil.
Para mim Eles não são melhores que nenhuma outra linha de trabalho da umbanda, mas são os que mais despertam em meu íntimo o desejo de evolução. Só mesmo eles me fazem sentir tão cativo seus e ao mesmo tempo tão liberto, mesmo que momentaneamente, de minhas imperfeições.
Liberdade!!! Foi devido a incompreensão sobre este divino sentimento que obtive a oportunidade de temporariamente entrar em contato com um ser espiritual desta divina falange. E eu, que de alguma forma, até já me sentia livre, com os esclarecimentos, passei a entender melhor a verdadeira liberdade e, assim, a me sentir mais livre ainda !!!

Saravá a liberdade !!!!

Saravá a falange dos preto-velhos !!!!

Saravá a Pai tomé !!!!

Saravá ao Senhor Águia branca !!!

por Pedro Rangel de Sá

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