O retorno de um médium á casa de onde saiu

O retorno de um médium á casa de onde saiu.

Todos os seres humanos sem excepção, são donos de seu livre arbitrio, donos de escolher seus próprios caminhos, donos de escolher o rumo a tomar pelas encruzilhadas da vida. É um direito outorgado pelo Criador e que a todos abrange.

Esse direito não deve nunca ser contestado por quem quer que seja, pois iria contra a própria natureza, contra as Leis Divinas. E quem contesta, tenta interferir, ou critica seus irmãos pelos caminhos tomados que a seu ver não seriam os mais adequados, sofrerá adequadamente, a ação da Lei Maior e da Justiça Divina nas suas próprias vidas.

A respeito do movimento e da relação das pessoas dentro dos cultos de matriz africana e afro-brasileiros, existem ainda muitos preconceitos. Muitos dos dirigentes das casas de culto, tentam ser donos da vida dos “filhos” de suas casas e de suas próprias tomadas de decisão. Ora, ninguém é dono de ninguém, e cada um é livre de tomar suas próprias decisões, elaborar seus pensamentos e ter sua opnião própria sobre qualquer assunto que seja. Pois por mais desadequadas e negativas que pareçam, cada um é responsável pelas suas decisões, pensamentos, palavras e ações.

Quando um médium sai de uma casa de livre vontade, nada nem ninguém tem o direito de interferir, acusar, maldizer, ou até mesmo como infelizmente se vê em algumas situações, lançar magias negativas para o médium que sai. Tudo isso tem um preço elevado, e no momento certo e na altura certa, a Lei do retorno (implacável que é), devolverá em multiplos e na sua magnitude, todas essas “energias” ao seu criador, ou seja, a quem as enviou, mentalmente, verbalmente, ou até mesmo magisticamente.

Existem situações dessas, em que os dirigentes das casas, quando começam a estar sobre a ação da Lei maior e da Justiça divina, e tudo na suas vidas se começa a desmoronar repentinamente, tentam desesperadamente jogar as culpas nos “filhos” que sairam, tentando culpabilizá-los, inventando o pior e que estes lhes lançaram magias negativas, má sorte, invejas, olho gordo, e toda uma série de maldições que nem caberiam no maior manual de magias negras. Enfim…
Pelo lado contrário, também ocorre infelizmente o mesmo. Sendo nesse caso os “filhos” a acusarem os “pais” por suas desgraças.

Normalmente quando um médium sai de uma casa, sai pela sua própria mudança e alteração de vida familiar ou profissional que já não lhe permite frequentar a casa, ou sai expulso pelo seu mau comportamento (que é raro), ou sai por algo ou alguma situação que o desagradou, desapontou, que tanto poderá ser da parte dos dirigentes como dos “irmãos” da casa. E até mesmo em alguns casos tristes e lamentáveis, poderá ser por causa de alguma “entidade” espiritual.
Há lamentavelmente relatos de situações com supostas “entidades” de lei incorporadas, que são do pior, como:

tratar mal um “filho” ou consulente da casa;
convidar um “filho” ou consulente da casa para sexo;
ameaçar de forma agressiva um “filho” ou consulente da casa;
humilhar perante todos um “filho” ou consulente da casa;
relatar a vida pessoal perante todos, de um “filho” ou consulente da casa;
realizar perante todos, magias negativas contra um “filho” ou consulente da casa;
rebaixar e falar mal perante todos, de um “filho” que saiu da casa;

Isto não são “entidades” de lei. Isto não é Caboclo. Isto não é Preto-Velho. Isto não é Exu.
Isto é apenas uma coisa: ENTIDADES OBSESSORAS DE BAIXO ASTRAL DISFARÇADAS, NORMALMENTE CONHECIDAS POR “KIUMBAS”.

Quando isso acontece em uma casa é triste, porque as entidades verdadeiras de luz já se afastaram, e deixaram a casa e seus dirigentes entregues aos “kiumbas”. Isso acontece, tanto por mau comportamento dos dirigentes, por a casa se ter entregue a magias negativas, por “falsos” dirigentes e não haver fundamentos corretos, nem no lado material nem no espiritual, entre outras e muitas coisas que vão contra a verdadeira “caridade” e “espiritualidade”…
Mais tarde, normalmente estas casas acabam por ser desmanteladas pela ação da Lei Maior e da Justiça Divina. As próprias entidades de Lei dos dirigentes se afastam, deixando-os a sós com a ação kármica. Kiumbas tomam conta do local e dos rituais. Os bons médiuns tomam a decisão de sair, pois começam a não se sentirem bem na casa. Nascem fofocas e intrigas a toda a hora. Os vicios carnais envolvem os dirigentes e os médiuns que ficam. E muitas das vezes surgem doenças (mesmo mortais), que obrigam ao afastamento dos restantes e dos próprios dirigentes. Levando a casa a extinguir-se e a ser purgada pelo fogo espiritual divino, consumindo tudo de negativo no espaço material e espiritual que fazia parte da casa.

A respeito dos médiuns que retornam á casa de onde um dia pelo seu próprio pé sairam, há a dizer o seguinte:

Numa relação, médium – terreiro, depois de um certo periodo de tempo, existe um relacionamento muito parecido com uma relação amorosa, a casa, os dirigentes e “irmãos” espirituais, passam a fazer parte da vida do médium como uma verdadeira familia, uma aliança ou comunhão. No fundo torna-se uma nova vida á parte, com novas obrigações e direitos.
Aquando da saida de um médium, principalmente por decisão própria, este passa a ser visto pelos dirigentes e pela comunidade do terreiro como um “traidor”, especialmente se vai para outra casa espiritual.
Se um dia, se dá mal nessa nova casa para onde foi, e volta á casa de onde saiu pedindo para voltar, além de segundo os fundamentos de muitas casas, começar novamente do “zero”, será sempre visto como um eterno traidor, tal e qual como num relacionamento amoroso, em que um parceiro descobre a traição do outro e lhe perdoa, mas no fundo, nunca vai esquecer a traição, e nunca lhe perdoa verdadeiramente, pois haverá sempre um sentimento de mágoa e a sombra de nova traição.
Nunca mais será a mesma coisa. Os próprios irmãos e dirigentes nunca voltarão a confiar mesmo que o digam. E provavelmente vai se sentir sempre de parte, pois os outros irmãos o farão sentir assim, mesmo que inconscientemente. Nada, nunca voltará a ser a mesma coisa.
Por todas essas razões acima, talvez não seja a melhor decisão voltar á casa de onde se saiu, mas procurar sim uma outra em que se sinta bem, e que veja que segue bons fundamentos de paz e caridade, e que sinta que seja habitada pela luz e bençãos do amado Criador e de Pai Oxalá. Não esquecendo contudo, a lei do livre arbitrio de cada um, e do seu direito de tomar decisões, mesmo que erradas aos olhos dos outros.

São Salvador da Bahia, 3 Dezembro de 1981

(texto de autor desconhecido)



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