Oferenda de Xangô

Kão kabecilê xangô

Xangô é o orixá da justiça e da sabedoria. É sincretizado com São Jerônimo, São Pedro, São João Batista, representa a justiça e tem as pedreiras como símbolo natural. Possui um machado de duas faces que simboliza tanto a proteção quanto a punição a seus filhos quando cometem injustiças. Outro símbolo é a estrela de 6 pontas que é em si o poder equilibrador do universo.

DIA: Quarta-Feira

CORES: Vermelho (ou marrom) e branco

COMIDA: Amalá

SÍMBOLOS: Oxés (machados duplos), Edún-Àrá, xerê

ELEMENTOS: Fogo (grandes chamas, raios), formações rochosas.

DOMÍNOS: Poder estatal, justiça, questões jurídicas.

SAUDAÇÃO: Kawó Kabiesilé!!

Nem seria preciso falar do poder de Xangô (Sòngó), porque o poder é a sua síntese. Xangô nasce do poder morre em nome do poder. Rei absoluto, forte, imbatível. O prazer de Xangô é o poder. Xangô manda nos poderosos, manda em seu reino e nos reinos vizinhos. Xangô é rei entre todos os reis. Não existe uma hierarquia entre os orixás, nenhum possui mais axé que o outro, apenas Oxalá, que representa o patriarca da religião e é o orixá mais velho, goza de certa primazia. Contudo, se preciso fosse escolher um orixá todo-poderoso, quem, senão Xangô para assumir esse papel?

Xangô gosta dos desafios, que não raras vezes aparecem nas saudações que lhe fazem seus devotos na África. Porém o desafio é feito sempre para ratificar o poder de Xangô.

A maneira como todos devem se referir a Xangô já expressa o seu poder. Procure imaginar um elefante, mas um Elefante-de-olhos-tão-grandes-quanto-potes-de-boca-larga: esse é Xangô e, se o corpo do animal segue a proporção dos olhos, Xangô realmente é o Elefante-que-manda-na-savana, imponente, poderoso.

Percebe-se que a imagem de poder está sempre associada a Xangô. O poder real, por exemplo, lhe é devido por ter se tornado o quarto alafim de Òyó, que era considerada a capital política dos iorubas, a cidade mais importante da Nigéria. Xangô destronou o próprio meio-irmão Dadá-Ajaká com um golpe militar. A personalidade paciente e tolerante do irmão irritavam Xangô e, certamente, o povo de Òyó, que o apoiou para que ele se tornasse o seu grande rei, até hoje lembrado.

O trono de Òyó já pertencia a Xangô por direito, pois seu pai, Oranian, foi fundador da cidade e de sua dinastia. Ele só fez apressar a sua ascensão. Xangô é o rei que não aceita contestação, todos sabem de seus méritos e reconhecem que seu poder, antes de ser conquistado pela opressão, pela força, é merecido. Xangô foi o grande alafim de Òyo porque soube inspirar credibilidade aos seus súbditos, tomou as decisões mais acertadas e sábias e, sobretudo, demonstrou a sua capacidade para o comando, persuadindo a todos não só por seu poder repressivo como por seu senso de justiça muito apurado.

Não erram, como se viu, os que dizem que Xangô exerce o poder de uma forma ditatorial, que faz uso da força e da repressão para manter a autoridade. Sabe-se, no entanto, que nenhuma ditadura ou regime despótico mantém-se por muito tempo se não houver respaldo popular. Em outros termos, o déspota reflecte a imagem de seu povo, e este ama o seu senhor, seja porque nos momentos de tensão responde com eficiência, seja por assumir a postura de um pai. No caso de Xangô, sua rectidão e honestidade superam o seu carácter arbitrário; suas medidas, embora impostas, são sempre justas e por isso ele é, acima de tudo, um rei amado, pois é repressor por seu estilo, não por maldade.

Fato é que não se pode falar de Xangô sem falar de poder. Ele expressa autoridade dos grandes governantes, mas também detém o poder mágico, já que domina o mais perigoso de todos os elementos da natureza: o fogo. O poder mágico de Xangô reside no raio, no fogo que corta o céu, que destrói na Terra, mas que transforma, que protege, que ilumina o caminho. O fogo é a grande arma de Xangô, com a qual castiga aqueles que não honram seu nome. Por meio do raio ele atinge a casa do próprio malfeitor.
Xangô é bastante cultuado na região de Tapá ou Nupê, que, segundo algumas versões históricas, seria terra de origem de sua família materna.

Tudo que se relaciona com Xangô lembra realeza, as suas vestes, a sua riqueza, a sua forma de gerir o poder. A cor vermelha, por exemplo, sempre esteve ligada à nobreza, só os grandes reis pisavam sobre o tapete vermelho, e Xangô pisa sobre o fogo, o vermelho original, o seu tapete.

Xangô sempre foi um homem bonito extremamente vaidoso, por isso conquistou todas a mulheres que quis, e, afinal, o que seria um ‘olhar de fogo’senão um olhar de desejo ardente? Quem resiste ao olhar de “flirt” de Xangô?

Xangô era um amante irresistível e por isso foi disputado por três mulheres. Iansã foi sua primeira esposa e a única que o acompanhou em sua saída estratégica da vida. È com ela que divide o domínio sobre o fogo.
Oxum foi à segunda esposa de Xangô e a mais amada. Apenas por Oxum, Xangô perdeu a cabeça, só por ela chorou.

A terceira esposa de Xangô foi Oba, que amou e não foi amada. Oba abdicou de sua vida para viver por Xangô, foi capaz de mutilar o seu corpo por amor o seu rei.

Xangô decide sobre a vida de todos, mas sobre a sua vida (e sua morte) só ele tem o direito de decidir. Ele é mais poderoso que a morte, razão pela qual passou a ser o seu anti-símbolo.

Atribuições

Xangô é o Orixá da Justiça e seu campo preferencial de atuação é a razão, despertando nos seres o senso de equilíbrio e eqüidade, já que só conscientizando e despertando para os reais valores da vida a evolução se processa num fluir contínuo.

Cozinha ritualística

Caruru
Afervente o camarão seco, descasque-o e passe na máquina de moer.  Descasque o amendoim torrado, o alho e a cebola e passe também na máquina de moer. Misture todos esses ingredientes moídos e refogue-os no dendê, até que comecem a dourar. Junte os quiabos lavados, secos e cortados em rodelinhas bem finas. Misture com uma colher de pau e junte um pouco de água e de dendê em quantidade bastante para cozinhar o quiabo. Se precisar, ponha mais água e dendê enquanto cozinha. Prove e tempere com sal a gosto. Mexa o caruru com colher de pau durante todo o tempo que cozinha. Quando o quiabo estiver cozido, junte os camarões frescos cozidos e o peixe frito (este em lascas grandes), dê mais uma fervura e sirva, bem quente.

Ajebô
Corte os quiabos em rodelas bem fininhas em uma Gamela, e vá batendo eles como se estivesse ajuntando eles com as mãos, até que crie uma liga bem Homogênea.

Rabada
Cozinhe a rabada com cebola e dendê. Em uma panela separada faça um refogado de cebola dendê, separe 12 quiabos e corte o restante em rodelas bem tirinhas,
junte a rabada cozida. Com o fubá, faça uma polenta e com ela forre uma gamela, coloque o refogado e enfeite com os 12 quiabos enfiando-os no amalá de cabeça para baixo.

Oferenda de Xangô

Vejamos aqui como preparar um Comida, Oferenda, Adimu, Agrado a Xangô. É fácil preparar uma comida de Orixá, mas sempre siga atitudes básica na hora do preparo e na hora de Oferecer a comida de Xangô.

1- sempre esteja de corpo limpo e a mente ligada só a coisas boas e ao orixá.

2- se possível peça para alguém já iniciado dentro do Santo, para lhe orientar na hora de fazê-lo.

3 – nunca peça nada de ruim ao Orixá, peça sempre coisas boas e principalmente Xangô é um orixá ligado diretamente a caso de justiça, casos de dívidas, guerras etc. Então é muito importante saber o que está precisando realmente ou o porque você está fazendo esta oferenda.

Obs: Não adianta pedir para o Orixá Ogum que lhe dê um amor, pois Ogun é um orixá Rústico (violento e pouco maliável), que no caso sim seria para pedir ao Orixá Oxum (que é doce, encantadora, amável) que lhe de amor em sua vida. Entenda bem, pedir amor não significa pedir uma pessoa em particular para o Orixá. Evite pedir certo tipos de coisas para o seu orixá, lembre-se ele é sagrado.
Amalá para Xangô:

Ingredientes da comida de Xangô:
– 500gr. de quiabo
– 01 rabada cortada em doze pedaços
– 01 cebola
– 01 vidro de azeite de dendê
– 250g. de fubá branco

Modo de preparar o Amalá de Xangô: Cozinhe a rabada com cebola e dendê. Em uma panela separada faça um refogado de cebola dendê, separe 12 quiabos e corte o restante em rodelas bem tirinhas,

junte a rabada cozida .Com o fubá, faça uma polenta e com ela forre uma gamela, coloque o refogado e enfeite com os 12 quiabos enfiando-os no amalá de cabeça para baixo.

Xangô

Ingredientes: 12 pedaços de peito de boi sem gordura

7 pimentas da costa moída

1 pitada de sal

2 cebolas de cabeça picada

3 kg de quiabo

2 pedaços pequenos de gengibre socado no pilão

200 gramas de amendoim torrado sem casca moído no pilão

100 gramas de camarão seco inteiro

100 gramas de castanha Azeite de dendê
Modo de Preparo: Tempere o peito com sal, a pimenta da costa e a cebola de cabeça. Aqueça o azeite de dendê e ponha os pedaços de peito para dourar. Quando estiver assado, reserve. Lave os quiabos, um por um e seque em pano branco. Corte as pontas do quiabo (inclusive e parte de cima) e pique em pedaços bem pequenos. Reserve 12 quiabos inteiros para enfeitar o prato. Coloque o quiabo picado em um alguidar e ponha um pouco de azeite, depois bata bem para tirar a “baba”. Leve a panela com a carne ao fogo e acrescente o amendoim, a gengibre, a castanha, o camarão seco e o quiabo picado e refogue mais um pouco e estará pronto. Cruze com pemba branca e banha de ori e coloque em uma gamela de madeira o refogado. Os pedaços de carne devem ser colocados por cima. Enfeite o prato com os quiabos inteiros. Acompanha a bebida correspondente e uma vela branca. Obs: Outro prato muito comum para Xangô é a rabada com polenta.

ORAÇÃO À XANGÔ | BATALHA FINAL

Pai presente em meus piores momentos, me traga a redenção e a humildade, não deixa que a soberba me aniquile, derrota os meus principais inimigos, o ódio e a vingança.

Vós me disse para esperar, lutar com sabedoria e inteligência, haja visto, ter meu corpo fechado desde o nascimento.

Contudo, percebo que está chegando a hora da batalha, portanto, quero que seja minha mente e meus braços na hora do embate final.

Se tenho que ir ao seu encontro, digo que vou, sem dúvidas em meu coração.

Mas, peço que me cubra com sua honra até o instante final, pois só me ajoelho diante dos orixás e só me deito diante de ti.

Kaô Kabecile !!!!

Pai Bento preto velho, de origem africana e que foi escravo, veio para Santos, a mandado de seu sinhô Manoel Antonio, de Xiririca (hoje Eldorado Paulista), a fim de seguir para a guerra do Paraguai, substituindo um filho do fazendeiro.

Entretanto, chegando a São Vicente, o saudoso Bento Viana (capitalista e vereador vicentino), proprietário do casarão da Rua Martim Afonso, esquina da rua José Bonifácio (onde vemos hoje o Edifício Stela Maris), entusiasmou-se por “Pai Bento”, trocando-o por um seu escravo, evitando assim que o seu afeiçoado seguisse para a guerra. Na época, “Pai Bento” tinha 50 anos, trabalhava na casa de Bento Viana, rachando lenha e carregando potes de água da Biquinha.

Com o falecimento do seu primeiro protetor, “Pai Bento” passou a viver a expensas do intendente Antônio Emmerich. O escravo já estava de cabelos brancos, em idade avançada, porém, forte, trabalhador e muito honesto. Com a devida autorização de seu novo patrão, fazia entrega de água da Biquinha, para diversos fregueses, recebendo em troca alguns vinténs.

Uma coisa parecia incrível: “Pai Bento” não fumava nem bebia; pacato, jamais teve uma briga em São Vicente. Tudo isso fazia com que o preto velho gozasse de grande estima na cidade.

Conhecemos esse tipo popular, sempre descalço, em mangas de camisa, trazendo ao pescoço a medalhinha de um santo, segura por um barbante e carregando á cabeça os potes de barro com água. Faleceu com 105 anos, no seu quartinho da casa de Antônio Emmerich, sendo socorrido até os últimos momentos de entregar a sua alma a Deus. Os funerais foram feitos a expensas do nosso biografado, e a sua morte bastante sentida, pois desaparecia o tipo mais popular de São Vicente, naquela época.

Xangô é o Orixá dos reis, dos justos e dos poderosos.

Ele próprio foi um rei guerreiro que conquistou reinos e enriqueceu seu povo.

O seu trabalho entre os homens é cobrar de quem deve e premiar a quem merece, agindo sempre com sabedoria, justiça e poder.

Este Orixá é vaidoso, violento e atrevido. Gosta de festas e comemorações.

É o Orixá do raio e do trovão, o seu elemento é a pedra.

No sincretismo os africanos o ligaram a São João Batista a São Pedro e a São Jerônimo.

Conforme a região do Brasil, Xangô é sincretizado a um destes três, em algumas regiões, como o Rio de Janeiro, a dois simultaneamente (São João Batista comemorado a 24 de junho e São Jerônimo comemorado a 30 de setembro).

Seu dia na semana é a quarta feira sua cor na Umbanda é o marrom.

Na mitologia romana é Júpiter, o pai e mestre dos deuses, para os gregos é Zeus, aquele que usava seus raios para punir os mortais, esta correspondência pode ser feita pelo poder supremo que ambos encarnam.

No Tarô há uma lâmina que contém o principal arquétipo de Xangô, é a Justiça representada pelo arcano VIII, que é quem encarna a recompensa justa, a distribuição do prêmio e do castigo.

A espada de ouro que a justiça carrega assim como o Orixá em sua representação simboliza as lutas necessárias para se conseguir o equilíbrio, que a balança na outra mão indica ser possível. A palavra de Xangô é a Justiça

      umbanda-Xango-Ele-vem-de-aruanda-ele-vem-trabalhar

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